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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Soito - a CM Góis pede reconhecimento como aldeia de xisto

A Câmara Municipal de Góis solicitou às entidades competentes a integração do Soito na rede de aldeias de xisto, conforme extrato da Ata da reunião da CM Góis de 10 de janeiro de 2012, que a seguir se publica:



“2.5. COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DO SOITO/INTEGRAÇÃO NAREDE DAS ALDEIAS DO XISTO E NOS PROJETOS DE ANIMAÇÃO DASALDEIAS - A senhora Presidente deu conhecimento ao Executivo do interesse manifestado pela Comissão de Melhoramentos do Soito em integrar a aldeia de Soito na Rede das Aldeias do Xisto, bem como, nos Projetos de Animação das Aldeias, tendo informado das diligências tomadas junto das Entidades competentes para o efeito, referindo que se aguarda pela resposta dessas mesmas Entidades.

O senhor Vereador Diamantino Jorge Simões Garcia referiu que a aldeia do Soito poderia primar pela diferença, naturalmente naquilo que está padronizado nas aldeias do xisto, nomeadamente no que concerne ao tipo de produtos que se oferece a quem por ali passa, sendo sua opinião que esta aldeia poderia ter uma dinamização diferente”.

Vamos esperar que este sonho se torne uma realidade para a nossa aldeia, pois esta seria a melhor forma de assegurar o seu futuro, assegurando condições para que pessoas jovens ali possam residir.

António Duarte

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Festival da Diversidade Cultural, Soito, 1 de Outubro de 2011

Decorreu no Soito (Colmeal / Góis), o primeiro Festival da Diversidade Cultural, envolvendo gastronomia de 4 países, música e outros divertimentos, bem como a venda de artesanato e produtos da terra.

Inserida neste evento tivemos, também, a inauguração de mais uma fase do “projecto de valorização do espaço público do Soito”, da autoria dos nossos associados e membros dos órgãos sociais, Liliana Santos e Humberto Sobreira, que inclui protecções em madeira, jardinagem, sinalética e percursos pedestres, com investimento global da ordem dos 10 mil euros e actualmente concluído em cerca de 80%.

Aquele projecto integra um protocolo entre a Comissão de Melhoramentos do Soito e a Câmara Municipal de Góis, cujo contributo financeiro é da ordem de 15% do investimento previsto.

A referida inauguração contou a presença da presidente da Câmara Municipal de Góis, Drª. Maria de Lurdes Castanheira, que aproveitou, também, para verificar in loco a evolução das obras de repavimentação da aldeia, na sequência da requalificação da nova rede de água que este ano teve lugar. Esteve igualmente presente todo o executivo da Junta de Freguesia do Colmeal, liderado por Carlos de Jesus.

Numa breve cerimónia que teve lugar após a referida inauguração, em que foi também invocado o 57º aniversário da Comissão de Melhoramentos do Soito e prestada homenagem aos sócios fundadores na pessoa de José Nunes de Almeida, actual presidente do Conselho Fiscal e único fundador ainda vivo, o presidente da Direcção António Duarte, destacou a importância da inauguração que ali teve lugar, por constituir mais um passo no importante processo de renovação / valorização da aldeia do Soito, tornando-a mais atractiva e com melhores condições de vida.

Nesta sequência salientou que, após um período de longo período de abandono, impulsionado, também, pelo incêndio que há cerca de duas décadas ali destruiu várias casas, o Soito, graças à actividade da sua Comissão de Melhoramentos na última década, bem como aos investimentos privados efectuados na recuperação tradicional de habitações e mais recentemente aos investimentos em curso por parte da CM Góis, está hoje numa fase de ampla recuperação, tendo invertido significativamente a tendência de desertificação humana a que vinha assistindo, uma vez que no último ano triplicou o número de residentes, a maioria dos quais ainda relativamente jovens.

Salientou e agradeceu na pessoa da Drª. Lurdes Castanheira, o importante investimento que a Câmara Municipal de Góis está a efectuar na aldeia, através da colocação de uma nova rede de água e reposição / renovação das calçadas existentes, agradecendo, na pessoa da Senhora Presidente da Câmara ali presente, todo este investimento, bem como o restante apoio recebido daquela autarquia, designadamente no âmbito do protocolo celebrado com a Comissão de Melhoramentos do Soito no âmbito do “projecto de valorização do espaço público do Soito”. Os agradecimentos foram também extensivos à Junta de Freguesia do Colmeal, na pessoa do seu Presidente Carlos de Jesus, pelos investimentos que efectuou / pensa efectuar na aldeia.

Por fim salientou que numa fase de incerteza resultante da crise que o país vive e pela reforma do poder local que agora se inicia, estamos certos que tanto a Drª. Lurdes Castanheira, pela sua capacidade de trabalho, empenho e optimismo, bem como o senhor Carlos de Jesus pelo bom trabalho demonstrado, farão tudo o possível para garantir o dinamismo de que o nosso Concelho e em particular a Freguesia do Colmeal necessitam.

Terminou as suas palavras referindo que não obstante as contrariedades do actual momento que o país vive, a que a Comissão de Melhoramentos do Soito não é imune, esta fará tudo o que estiver ao seu alcance para continuar a melhoria das condições de vida na aldeia, uma vez que ainda há muito para fazer.

Seguiu-se a intervenção da senhora Presidente da CM de Góis, Drª. Maria de Lurdes Castanheira que, após ter saudado os presentes e mostrando palavras de apreço pelos que no passado fundaram a Comissão de Melhoramentos do Soito, salientando o nome de José Nunes de Almeida que há 57 anos integra os corpos sociais desta associação, reconheceu as profundas mudanças a que, na última década tem assistido a aldeia do Soito, após um longo período de marasmo, justificando por isso o investimento na nova rede de água e renovação das calçadas que a Câmara ali está a efectuar.

De seguida elogiou o querer, o esforço e o optimismo demonstrado por esta associação em transformar o Soito na aldeia que hoje é que, em seu entender é uma verdadeira aldeia de xisto, sem subsídios, apenas necessitando de ser reconhecida como tal para integrar o circuito das aldeias do xisto, prometendo enveredar os necessários esforços nesse sentido.

Referiu ainda que os apoios dados pela Câmara Municipal de Góis às obras promovidas pela Comissão de Melhoramentos do Soito, tem sido pequenos contributos face ao esforço de investimento efectuado na aldeia por esta associação, cujos dirigentes sempre se manifestaram contra a chamada subsídio dependência.

Assinalou também, a importância e significado do evento promovido, salientando o significativo número de pessoas ali presente que aparentemente contrariavam a desertificação humana que afecta a nossa zona.

Por fim usou da palavra o senhor Presidente da Junta de Freguesia do Colmeal, Carlos de Jesus que em breves palavras salientou, em nome do executivo que lidera, o apoio que dentro das possibilidades esta autarquia dará à aldeia do Soito, bem como às restantes aldeias da freguesia.

O festival continuou pela tarde e noite contando, para além da gastronomia variada e também de um magusto, com um espectáculo variado, incluindo, o Rancho Folclórico Serra do Ceira, o Fado cantado por Ana Laia, acompanhada à viola por Paulo Vitorino e à guitarra por José Henriques dos Santos, bem como espectáculos de malabarismo, com o grupo Kamones e espectáculo de fogo intitulado o circo da terra, a cargo dos nossos vizinhos e amigos Rosie e Josh.

Às entidades oficiais presentes, a todos os artistas, a todos os nossos associados presentes e em especial aos que estiveram envolvidos na organização, aos artesãos e vendedores de produtos regionais, bem como ao número significativo de pessoas de várias nacionalidades que ali estiveram presentes, o nosso muito obrigado.

Para o próximo ano prometemos fazer ainda melhor.

António Duarte 





























domingo, 20 de fevereiro de 2011

Assembleia – Geral (2011 um ano essencial para o futuro do Soito)

No próximo dia 24 de Fevereiro Quinta-Feira), pelas  21H00, reúne na Casa do Concelho de Góis, na Rua de Santa Marta, em Lisboa, a Assembleia-Geral Ordinária da CM do Soito, que para além da prestação de contas relativamente a 2010, incluirá a eleição dos corpos directivos para 2011, bem como a discussão e aprovação do Plano de Actividades e Orçamento para 2011 e de outros assuntos de interesse para o futuro da aldeia.
Trata-se de um importante encontro de debate dos assuntos que afectam a nossa aldeia e dos projectos que iremos apresentar com vista a garantir e melhorar o seu futuro e por isso gostaríamos de contar com a presença de todos os nossos associados e amigos, embora apenas os primeiros tenham capacidade de decisão relativamente aos assuntos que serão abordados.
O Soito é já hoje uma das aldeias mais conhecidas e apreciadas no Concelho de Góis e na região, pelo enorme esforço que tem sido feito da recuperação e preservação do património particular e colectivo e esse esforço é ainda mais assinalável quando, num ano de crise como o que atravessamos, se continua a assistir ao incremento da reconstrução em xisto de habitações particulares e ao nível colectivo prevemos concluir o “projecto de valorização do espaço público”, para além de outras pequenas obras ou arranjos que consideramos essenciais.
A Câmara Municipal de Góis irá também requalificar a rede de água de abastecimento ao domicílio, substituindo a actual rede completamente degradada e que não permite o abastecimento adequado, tanto ao nível quantitativo, como qualitativo, numa aldeia que apesar de tudo, irá ter este ano cerca de 40 contadores de água ligados.
Por tudo isto e porque o Soito adquiriu recentemente 5 novos moradores jovens (o mais velho com 40 anos e o mais novo com 2 anos), situação muito rara nas aldeias serranas como a nossa, consideramos que nos devemos orgulhar da nossa aldeia, apoiando, na medida do possível, todos os que ali queiram viver, ou simplesmente utilizar a aldeia como destino de férias e fins-de-semana.

António Duarte



quarta-feira, 28 de julho de 2010

Património preservado - Espaço de Lazer a Eira

Quando as nossas aldeias eram densamente povoadas e a actividade agrícola era intensa, a generalidade das aldeias dispunha um espaço colectivo para a debulha do centeio, designado de “Eira”.

Por norma, era um espaço com chão de rocha suficientemente dura e previamente alisada, para onde, após a ceifa, o centeio era transportado em pequenos molhos, às costas, à cabeça, ou em carros de bois, para ali ser debulhado.

A utilização de um espaço ao ar livre, em detrimento dos soalhos dos palheiros ou mesmo das casas de habitação, feitos em madeira, onde se debulhava o milho, devia-se ao facto deste cereal ser mais difícil de extrair do que aquele, exigindo que a debulha se efectuasse nas horas de maior calor e mediante a utilização de uma ferramenta adequada, concretamente o mangualde, cujo manuseio exigia espaço e altura adequados.

Efectuada a “malha” ou “malhada” do centeio, os grãos eram estendidos ao sol para secagem, a fim de adquirirem a dureza necessária à moagem, sendo então guardados nas arcas, à semelhança do milho, a fim de serem moídos e utilizados durante o ano, para juntamente com a farinha de milho, fazer a broa, que era o alimento base dos povos da nossa zona.

Por sua vez a palha de centeio tinha também várias utilizações que iram desde o enchimento dos colchões para as camas (como eles picavam), à sua colocação nas caldeias dos alambiques no âmbito do fabrico de aguardentes, a fim de que a “massa” não agarrasse, à cobertura de currais ou mesmo como pasto para os animais durante o Inverno.

Tanto quanto me lembro, a “Eira” do Soito, foi utilizada até finais dos anos 60 do século passado, data a partir da qual foi abandonada, quer porque nessa altura o centeio já era mais escasso, devido à desertificação humana, mas sobretudo, porque foi então construída a actual estrada rodoviária, que destruiu cerca de metade da sua área.

Este espaço situa-se a cerca de 50 metros do início da aldeia, do lado direito, no percurso Colmeal – Soito (antes era cruzado pela estrada de carros de bois entre o Soito e o Colmeal), e devido à sua destruição parcial e entulhamento pelos resíduos trazidos pela levada ao longo de cerca de 40 anos, estava irreconhecível até há cerca de 2 anos, quando iniciámos as obras destinada a dar alguma dignidade ao local, preservando a memória colectiva e construindo ali um pequeno espaço de lazer.

Durante o ano de 2009 e contando e mediante a colaboração da arquitecta paisagista Liliana Santos, dirigente local da CM do Soito, bem como com a colaboração de outros profissionais qualificados, o espaço da antiga Eira que sobreviveu à passagem da actual estrada (cerca de ½ do inicial), acrescido de uma pequena parcela de terreno que nos foi cedida pelo nosso associado e dirigente Carlos Alberto do Santos de Almeida, ganhou nova dignidade.

O aproveitamento daquele espaço, onde foram gastos cerca de 4.000,00€, envolveu o desentulhamento da antiga Eira e do terreno que lhe foi acrescido, a construção de muros laterais de suporte, a construção de uma cascata alimentada pela levada que atravessa a aldeia, a construção de bancos em pedra, canteiros e estrutura de ensombramento em madeira tratada, bem como a plantação de trepadeiras. Para a conclusão total faltam apenas alguns arranjos ao nível da entrada e a devida sinalização para que seja vista por quem passa na estrada.

Estamos certos que os nossos antepassados, para quem aquele espaço teve outra utilidade, ficariam satisfeitos pelo aspecto que o mesmo actualmente apresenta, conforme se demonstra pelas fotos seguintes:






António Duarte

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Soito - uma aldeia com entradas convidativas

Entradas do Soito

De certa forma podemos dizer que a entrada de uma aldeia nos diz um pouco daquilo que ela será por dentro, o que nem sempre é verdade, face à existência de condicionantes específicas, como é o caso das construções particulares, por vezes desinseridas da traça arquitectónica da zona.

De qualquer modo e tendo como ponto de partida as referidas limitações, muito poderemos fazer para melhorar as entradas / saídas das nossas aldeias, assumindo aqui o tal papel de “regionalistas à moda antiga”, até porque dificilmente as nossas autarquias têm condições para embelezar, adequadamente, um multiplicidade de aldeias espalhadas pela serra, concentrando, por norma, esse esforço, nas sedes Concelhias e nas sedes das freguesias mais importantes.

É neste sentido que, estando a aldeia do Soito envolvida num processo de grande transformação ao nível da reconstrução tradicional, ao nível colectivo e individual e da valorização do património colectivo, nos vimos preocupando, também, com o seu aspecto exterior, a fim de que apresente um aspecto atractivo para quem nos visita, mas também para todos os que passam na estrada municipal Góis / Fajão, que assim ficarão com imagem de uma aldeia cuidada, que convida a uma visita ao seu interior.

Nesta linha de raciocínio, iniciámos, há cerca de 5 anos um processo de melhoria das bermas da referida estrada municipal, com a plantação de várias árvores na direcção Soito-Fajão-Malhada (castanheiros, cerejeiras e figueiras), ao mesmo tempo que na Direcção Soito-Colmeal-Góis, recorremos a uma empresa de jardinagem então existente na zona, que ali plantou várias espécies de arbustos e plantas, que dão uma beleza ímpar às referidas bermas, especialmente na Primavera e no Verão.

De referir, também, que a manutenção destes espaços, que em breve serão ampliados, implica a limpeza das bermas (este ano numa maior extensão por parte da Junta de Freguesia do Colmeal), bem como a rega durante o Verão, o que actualmente é feito por um sistema de rega gota a gota, accionado automaticamente, cujos custos iniciais são largamente compensados pelos benefícios futuros.

Por fim não podemos deixar de referir que o actual executivo da Junta de Freguesia do Colmeal procedeu, também, à plantação de várias cerejeiras nas entradas do Soito, bem como noutras aldeias, garantindo a sua manutenção, o que nos parece ser um aspecto bastante positivo para a atractividade das nossas aldeias, sendo também de salientar

Para ilustrar o que acabámos de referir, vejamos as fotos seguintes feitas há cerca de 2 semanas.




António Duarte




domingo, 11 de julho de 2010

Memórias do Soito e do Colmeal - espólio de António Marques de Almeida

António Martins Mendes e a Ponte sobre o Ribeiro do Soito





António Martins Mendes nasceu no Soito, casou no Colmeal com Ludovina da Conceição Ferreira Mendes e teve quatro filhos: Maria Amélia, Américo, Ângela e João Mendes, todos já falecidos, à excepção deste último, actualmente com cerca de 80 anos.

Teve vários netos entre os quais a Maria da Conceição Mendes das Neves, filha de Maria Amélia e actual esposa de António Marques de Almeida.

Esteve ligado desde início à UPFC, integrando os seus órgãos sociais, sendo que no período de 1993/1934, fazia parte da Direcção constituída pelos seguintes elementos “Manuel Nunes de Almeida, Albano Gonçalves de Almeida, Francisco Luís, António Domingos Neves, António Martins Mendes, José Augusto Elias de Almeida e António Nunes Major” (in Boletim “O Colmeal” Nº 124, de Fevereiro de 1974, republicado no dia 10 de Dezembro de 2009 em http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com).

No mesmo texto que acabámos de citar referia-se que, em 14-4-1933 “estuda-se a possibilidade de construção de uma ponte em pedra sobre o ribeiro do Soito, pedindo-se à Delegação o respectivo orçamento.

Em 13-5-1933 decide-se oficiar à C. M. Góis pedindo a execução gratuita da planta desta obra, mas a resposta é negativa, por ser inteiramente impossível atender o pedido.

Em face disto, resolve a Direcção construir-se a ponte mesmo sem planta, encarregando-se a Delegação de elaborar o respectivo caderno de encargos da obra, cujo orçamento era de 3.000$00.
….

Em 11-1-1934, a Delegação da UPFC notifica que a obra da ponte sobre o ribeiro do Soito está concluída, mas só em 12-7-34 se oficia à C. M: Góis fazendo a sua entrega, depois de se ter completado o pagamento de 1.100$00 à Delegação (5-4-34) e 60$00 à Junta de Freguesia”.

Assim sendo, António Domingos Mendes, enquanto membro da Direcção da UPFC esteve ligado à primeira grande obra projectada e construída por esta e que foi a ponte em pedra sobre o ribeiro do Soito, substituindo a antiga ponte em madeira existente naquele local.

Tratava-se de uma importante obra que permitia a ligação de boa parte das aldeias à sede da Freguesia (Soito, Malhada, Carrimá, Foz-da-Cova e Quinta de Belide), bem como a passagem do “trânsito” com a vizinha Freguesia de Fajão.

Embora tenhamos informação suficiente para, através desta forma, prestarmos uma justa homenagem a este ilustre conterrâneo, que faleceu em 1957, a sua participação activa no regionalismo, através da UPFC, e especialmente a sua ligação à construção da ponte do Soito, são motivos para a publicação deste singelo texto.

Por último refira-se que esta ponte foi posteriormente aproveitada, após alargamento e reforço de estruturas, para servir a actual estrada que passa no mesmo local, embora se deva dizer que as ditas obras tornando-a adaptada às necessidades actuais (embora um pouco estreita), descaracterizaram a sua beleza inicial.

Seguem-se algumas fotos da referida ponte, na sua fase inicial e após a sua adaptação ao trânsito rodoviário.


Ponte do Soito após obras de adaptação ao trânsito rodoviário


António Duarte


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Tradições do Soito - Apanha da azeitona / confecção do azeite

O soito era uma terra com muita azeitona, que era apanhada durante várias semanas, entre Novembro e Janeiro, sendo acondicionada nas lojas das habitações e nalguns casos em tulhas junto ao lagar e conservada com sal.

Já mais próximo de fazer o azeite a azeitona era transportada às costas ou em carros de bois (na aldeia havia entre 1 e 2 juntas de bois) para o lagar da “ponte de ceiroco”, na Ribeira de Carrimá, que servia a aldeia do Soito, Carrimá, Boiças e Vale Pardieiro.

Cada proprietário marcava o seu dia ou dias para fazer o azeite, dependendo da quantidade de azeitona que possuía. No dia de fazer o azeite teria de fornecer lenha para a fornalha do lagar e comida para os lagareiros que, na maioria das vezes era feita na fornalha do lagar, sendo daqui originário o famoso prato de bacalhau à lagareiro, o qual, tal como as batatas “a murro”, era assado na brasa e temperado com o azeite acabado de fazer.

Os lagareiros, mestre e moço, trabalhavam dia e noite de forma contínua (com alguns intervalos de descanso enquanto o moinho moía as azeitonas e a prensa ia espremendo as que tinham sido moídas anteriormente), sendo na maioria das vezes acompanhados durante a noite pelos donos da azeitona, que também ali pernoitavam.

Após o processo de moagem das azeitonas, a massa resultante era colocada em “ceiras” que eram depositadas umas sobre as outras na zona adequada à prensagem. Após este processo procedia-se ao accionamento da prensa, rodando um fuso com uma pedra de grandes dimensões acoplada na base e que na parte superior se encontrava enroscado numa “vara”, constituída por um enorme tronco de sobreiro, suportado no outro extremo por um eixo na parede do edifício do lagar.

O produto que escorria da prensa incluía o azeite e o “azilabre” (uma mistura de água e dos outros resíduos da azeitona), ia parar à “tarefa”, que era uma espécie de pote profundo, composto por duas partes, a parte inferior para onde ia a água e a parte superior onde ficava o azeite, por ser substancialmente mais leve (ainda hoje se diz que a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima).

A perícia do mestre lagareiro consistia em abrir uma torneira na parte inferior da “tarefa”, de forma a mandar fora o azilabre e manter o azeite. Este trabalho exigia muita perícia, mexendo a tarefa com uma fina vara de madeira, para saber exactamente onde terminava o azilabre e começava o azeite. Por vezes aconteciam pequenos acidentes e lá ia uma parte do azeite para a ribeira.

Para além de fornecer a comida aos lagareiros e a lenha para as caldeiras que se destinavam a aquecer a água para caldear (a fim de obter mais azeite e após uma primeira prensagem, as ceiras eram retiradas e caldeadas com água quente, sendo de novo colocadas na prensa para serem espremidas de novo), também o trabalho dos lagareiros e o pagamento ao dono do lagar eram feitos do próprio azeite obtido, este último pagamento designava-se de “poia”. No lagar havia também uma talha para onde todos davam uma pequena quantia de azeite para o “santíssimo”, inicialmente destinado à iluminação da igreja do Colmeal e posterior com a evolução para as velas e luz eléctrica, destinado a ser vendido e a angariar fundos para a mesma igreja.

Aquela talha (pequeno pote), integra hoje o espaço museológico do Soito, por doação do actual proprietário do lagar, que funcionou até há cerca de 6 anos atrás.

O azeite era transportado para a aldeia em bilhas de lata ou em odres (recipiente feito em pele de cabra), sendo então guardado em potes de barro.

Para além do tempero, o azeite, a par da banha de porco e naturalmente do sal, era também usado para conservar os alimentos durante o ano inteiro (sobretudo o queijo e algumas partes do porco), uma vez que o Soito só teve luz eléctrica a partir de 1979.

António Duarte

sábado, 12 de junho de 2010

Memórias do Soito e do Colmeal - Espólio de António Marques de Almeida (Comeal)

Na sequência do texto e fotos que aqui publicámos no passado dia 2010/06/05, sobre alguns aspectos da vida de Adelino Brás de Almeida, nascido no Soito em 1879 e que no Colmeal teve estabelecimento de mercearias, vinhos e miudezas e oficina de sapateiro, publicamos agora mais algumas fotos de deste nosso conterrâneo e respectiva família, esperando que estas publicações sejam um estímulo para que alguns dos nossos “leitores” que disponham de material idêntico o disponibilizem, também,  para publicação.

É que a História do Soito, bem como a das restantes aldeias da nossa zona faz-se, sobretudo, pela história das pessoas que ali nascerem e/ou viveram e que, aprendendo com a dureza da vida nas nossas terras, se tornaram seres humanos de grande capacidade e iniciativa, capazes de vencer em qualquer em qualquer parte do mundo para onde se deslocaram, sem nunca esquecerem o seu torrão natal.


Guia de inspecção militar de António Brás de Almeida


Livro de registo do estabelecimento com anotações do direito às água de rega nas terras da "quinta"





Fotos de família: da esquerda para a direita – Virgínia e netos (os 3 irmãos mais velhos de António Marques de Almeida); Adelino e Virgínia; filha e três netos.



Batizado


Ainda com base na informação que nos foi cedida por António Marques de Almeida, o próximo texto a publicar falará um pouco de António Martins Mendes, natural do Soito e que também teve uma importante participação no regionalismo, através da União Progressiva da Freguesia do Colmeal.

António Duarte

sábado, 5 de junho de 2010

Memórias do Soito e da Freguesia do Colmeal – contributos de António Marques de Almeida

Quando iniciámos este BLOG solicitámos aos nossos “leitores” para nos enviarem fotos de pessoas Soito ou de alguma forma relacionadas com a aldeia, histórias, notícias ou outros elementos importantes relacionados com aldeia e/ou com o regionalismo.

Infelizmente e até ao momento, apenas tivemos “feedback” de uma pessoa que não sendo do Soito, tem também origens na nossa aldeia e é sem dúvida uma das pessoas que conheço, com ligações à nossa Freguesia, que mais preserva a memória dos seus antepassados e ao mesmo tempo aspectos importantes do passado colectivo das nossas aldeias.

O espólio de documentação e de fotos que dispõe, muito do qual já publicado no BLOG da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/) e no seu BLOG pessoal (http://sol.sapo.pt/blogs/guayaes), bem como a divulgação da nossa Freguesia na sua página no FACEBOOK, são disso prova irrefutável.

António Marques de Almeida, filho de naturais do Colmeal, é de facto um cidadão do mundo, fruto da diáspora portuguesa que levou também muitos dos nossos conterrâneos para fora do país em busca de melhores condições de vida. Nasceu na Venezuela, onde viveu até boa parte da sua vida, tendo-se posteriormente fixado em Lisboa, onde actualmente vive.

Visita com frequência o Colmeal e as outras aldeias da Freguesia, sempre acompanhado da sua inseparável máquina fotográfica.

A imagem que tenho do António é de uma pessoa que busca incessantemente o conhecimento das suas origens e da cultura das nossas terras, divulgando-a através dos meios electrónicos hoje disponíveis, para além de quaisquer rivalidades entre aldeias, até porque, no fundo, toda a Freguesia do Colmeal tem uma cultura comum e também, em termos populacionais, não passa de uma pequena aldeia.

Para esta perspectiva de olhar a Freguesia do Colmeal como um todo, terá contribuído também, certamente, o facto do seu avô materno Adelino Brás de Almeida ser natural do Soito, e a sua avó materna Virgínia de Jesus, natural de Ádela.

Fazendo jus ao que acabámos de referir o António Marques de Almeida, forneceu-nos material importante que para publicação neste BLOG (fotos e outra documentação relacionadas com pessoas do Soito), bem como algum do espólio do seu avô Adelino Brás de Almeida, que ainda que de forma provisória já se encontra exposto no Espaço Museológico do Soito.

Nesta primeira publicação do material que fez o favor de nos enviar, falemos então de Adelino Brás de Almeida.


Adelino e Virgínia

Adelino Brás de Almeida era natural do Soito, onde nasceu em 3 de Fevereiro de 1879, filho de António Domingos e Maria Isabel. Esteve emigrado nos Estados Unidos da América e regressou a Portugal em 1907, casou com uma senhora do Colmeal, de nome Maria José.

Após ter ficado viúvo da primeira mulher, casou com Virgínia de Jesus de Almeida em 1924, tendo tido duas filhas, uma de nome Virgínia de Almeida, mãe do António que nos forneceu esta informação e outra de nome Beatriz que faleceu ainda jovem.

Tinha a profissão de sapateiro e no Colmeal, junto à antiga capela de São Nicolau (actualmente Centro Paroquial), dispunha de um estabelecimento polivalente – de um lado um estabelecimento de mercearias, vinhos e miudezas e do outro a oficina de sapateiro.

A sua actividade de sapateiro era aliás referenciada no Anuário Comercial do Concelho de Góis, de 1910, na parte respeitante à Freguesia do Colmeal (publicado no BLOG da UPFC em 2009/07/21 - in http:museudoesporao.blogspot.com).



Segundo o neto António, Adelino Brás de Almeida deslocava-se numa égua pela freguesia e pelos outros lugares da zona, a fim de levar e receber o calçado para consertar ou tirar as medidas para confeccionar sapatos e botas à medida dos fregueses. A numeração do calçado correspondia ao número de pontos utilizados na sua feitura.

Apesar de lamentar o facto de seus pais não terem valorizado o espólio deixado pelo avô, António Marques de Almeida, encontrou ainda um conjunto importante de objectos, sobretudo ligados à profissão de sapateiro, que depois de devidamente anotados ofereceu ao Espaço Museológico do Soito, onde estão expostos ainda de forma provisória.

De seguida publicam-se algumas fotos dos mesmos objectos que também nos foram remetidas pelo António Marques de Almeida.







António Duarte