No há património sem memória. A memória perde-se no tempo se não a preservamos. Os espaços museológicos são locais privilegiados para preservar as memórias, o património das comunidades.
Góis é um concelho com uma riqueza inquestionável, que transparece nas sensações e cores patentes na sua biodiversidade paisagística; nos saberes e tradições que resistem à dureza do tempo; no património de cariz histórico, arqueológico, arquitectónico e etnográfico que engrandece a sua cultura.
Nos últimos anos têm sido criados, muitas vezes por iniciativa de associações ou outras agremiações concelhias, um pouco por todo o concelho, núcleos museológicos com o mote comum de preservar e divulgar o vasto, rico e, grande parte das vezes desconhecido património cultural concelhio.
Com intuito de divulgar e dar a conhecer a riqueza cultural que estes núcleos museológicos encerram vai a Câmara Municipal de Góis promover, no dia 12 de Junho, uma visita
aos espaços museológicos do Concelho de Góis, no período entre as 09h30 e as 15h30, devendo os interessados contactar o Posto de Turismo de Góis para efeitos de inscrição e outras informações.
Esta iniciativa contempla a visita à Colecção Museológica de Góis, Núcleo Museológico da Cabreira, Núcleo Museológico do Soito, Núcleo Museológico do Esporão, Museu Paroquial de Arte Sacra e Casa do Ferreiro.
Gabinete de Imprensa CMG
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sábado, 5 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Tradições do Soito - O fabrico da farinha de milho e centeio
No perímetro do Soito havia vários moinhos para moer os cereais de várias aldeias, sendo 2 no Rio Ceira (moinho do Cabeceiro, exclusivo do Soito e do Boiço, que também era utilizado por pessoas de Carrimá, Malhada, Loural e Aldeia velha), 3 na Ribeira do Soito (Ribeiro, Pedrancha e Foz do Corgo) e ainda um dentro da aldeia que moía quando se abria o poço da rega (moinho do Curtinhal, que actualmente integra o património museológico da aldeia).
Estes moinhos, todos movidos a água, implicavam a manutenção de açudes e levadas para que a água chegasse em quantidade suficiente. Chegada junto ao moinho, a água era projectada a uma altitude adequada e declive adequados, através de uma caleira em madeira (feita por escavação com uma enchó num tronco de pinheiro), a fim de que o rodízio, situado na parte inferior do moinho, se movesse, fazendo assim girar a mó.
O moinho é composto por duas mós, uma móvel acoplada ao rodízio e uma fixa sobre a qual a primeira se move a fim de fazer a farinha, quanto maior for a distância entre as mós, mais grossa será a farinha e vice-versa. Esta distância ajusta-se através de dispositivo próprio chamado pau da cruz, conforme o tipo de cereal a moer e a espessura que se pretenda.
Para além das mós e do rodízio, o moinho tem ainda o reservatório onde se coloca o cereal, em forma de funil rectangular (moega), uma espécie de caleira por onde o cereal se dirige para o buraco central da mó móvel em direcção ao espaço entre as duas mós (a quelha), mediante a turbulência provocada por uma pequena roda de cortiça (cadelo) que vai saltitando sobre aquela mó.
A generalidade destes moinhos eram colectivos, com maior expressão dos que se situavam no rio que eram praticamente de todos os habitantes da aldeia (s), que conforme as posses e as necessidades, tinham direito a moer por um determinado número de horas por semana.
Sobretudo no Verão e nos anos de maior seca, apenas os moinhos do rio tinham água suficiente para moer, o que originava que estes não tivessem mãos a medir, trabalhando de forma contínua, pelo que todas as famílias tinham de aproveitar as horas a que tinham direito, mesmo que o seu período de utilização se iniciasse durante a noite, o que acontecia com frequência.
Assim, eram frequentes as deslocações ao moinho em noites escuras e por vezes frias, carregando, às costas, pesados sacos de cereal ou farinha, com uma lanterna de azeite na mão, a fim de alumiar os tortuosos e inclinados caminho. Era frequente a lanterna apagar-se devido ao vento, deixando as pessoas completamente às escuras e com dificuldade em a reacender de novo. Eram tempos difíceis, que apesar de tudo sabe bem recordar.
Por vezes acontecia que o moinho de “alodava”, eventualmente devido aos cereais não estarem suficientemente secos ou pelo inadequado ajustamento das mós, o que atrofiava a moagem e originava do desperdício dos respectivos cereais. Esta era uma situação que gerava o desespero das pessoas afectadas, quer pelos estragos causados, quer pelo facto de não terem obtido a farinha que necessitavam.
Era habitual as crianças a partir dos 6 anos acompanharem o pai ou a mãe, a fim de lhe fazer companhia nestas viagens nocturnas, segurando a lanterna e ajudando a dissipar os medos do desconhecido (lobisomens, bruxas e almas penadas que pairavam sobre aqueles caminhos escuros e íngremes).
Também aqui se verificava o espírito de entre ajuda das pessoas na aldeia, uma vez que era frequente as pessoas que iam buscar a farinha, findo o seu tempo de moagem, levarem o grão dos vizinhos que iriam utilizar as horas seguintes e vice-versa. Era também uma forma de minimizar o esforço de que todos beneficiavam.
Para além da farinha para a broa, de milho (em maior quantidade) e de centeio (em menor quantidade), fazia-se uma moagem específica a fim de obter os “carolos”, uma farinha de milho mais grossa, típica da zona, que eram cozida em água, a fim de fazer acompanhamento (de carne, sardinhas, etc) e da qual também se faziam uma espécie de papas doces.
Estes moinhos, todos movidos a água, implicavam a manutenção de açudes e levadas para que a água chegasse em quantidade suficiente. Chegada junto ao moinho, a água era projectada a uma altitude adequada e declive adequados, através de uma caleira em madeira (feita por escavação com uma enchó num tronco de pinheiro), a fim de que o rodízio, situado na parte inferior do moinho, se movesse, fazendo assim girar a mó.
O moinho é composto por duas mós, uma móvel acoplada ao rodízio e uma fixa sobre a qual a primeira se move a fim de fazer a farinha, quanto maior for a distância entre as mós, mais grossa será a farinha e vice-versa. Esta distância ajusta-se através de dispositivo próprio chamado pau da cruz, conforme o tipo de cereal a moer e a espessura que se pretenda.
Para além das mós e do rodízio, o moinho tem ainda o reservatório onde se coloca o cereal, em forma de funil rectangular (moega), uma espécie de caleira por onde o cereal se dirige para o buraco central da mó móvel em direcção ao espaço entre as duas mós (a quelha), mediante a turbulência provocada por uma pequena roda de cortiça (cadelo) que vai saltitando sobre aquela mó.
A generalidade destes moinhos eram colectivos, com maior expressão dos que se situavam no rio que eram praticamente de todos os habitantes da aldeia (s), que conforme as posses e as necessidades, tinham direito a moer por um determinado número de horas por semana.
Sobretudo no Verão e nos anos de maior seca, apenas os moinhos do rio tinham água suficiente para moer, o que originava que estes não tivessem mãos a medir, trabalhando de forma contínua, pelo que todas as famílias tinham de aproveitar as horas a que tinham direito, mesmo que o seu período de utilização se iniciasse durante a noite, o que acontecia com frequência.
Assim, eram frequentes as deslocações ao moinho em noites escuras e por vezes frias, carregando, às costas, pesados sacos de cereal ou farinha, com uma lanterna de azeite na mão, a fim de alumiar os tortuosos e inclinados caminho. Era frequente a lanterna apagar-se devido ao vento, deixando as pessoas completamente às escuras e com dificuldade em a reacender de novo. Eram tempos difíceis, que apesar de tudo sabe bem recordar.
Por vezes acontecia que o moinho de “alodava”, eventualmente devido aos cereais não estarem suficientemente secos ou pelo inadequado ajustamento das mós, o que atrofiava a moagem e originava do desperdício dos respectivos cereais. Esta era uma situação que gerava o desespero das pessoas afectadas, quer pelos estragos causados, quer pelo facto de não terem obtido a farinha que necessitavam.
Era habitual as crianças a partir dos 6 anos acompanharem o pai ou a mãe, a fim de lhe fazer companhia nestas viagens nocturnas, segurando a lanterna e ajudando a dissipar os medos do desconhecido (lobisomens, bruxas e almas penadas que pairavam sobre aqueles caminhos escuros e íngremes).
Também aqui se verificava o espírito de entre ajuda das pessoas na aldeia, uma vez que era frequente as pessoas que iam buscar a farinha, findo o seu tempo de moagem, levarem o grão dos vizinhos que iriam utilizar as horas seguintes e vice-versa. Era também uma forma de minimizar o esforço de que todos beneficiavam.
Para além da farinha para a broa, de milho (em maior quantidade) e de centeio (em menor quantidade), fazia-se uma moagem específica a fim de obter os “carolos”, uma farinha de milho mais grossa, típica da zona, que eram cozida em água, a fim de fazer acompanhamento (de carne, sardinhas, etc) e da qual também se faziam uma espécie de papas doces.
António Duarte
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Património preservado
Capela de São Pedro
É talvez um dos sítios mais míticos do Soito, sendo, ao longo da história, para além de um local de oração, o verdadeiro centro da aldeia.
Segundo a tradição oral, terá cerca de seiscentos anos e à data da sua construção situava-se no cimo da aldeia, que entretanto se foi expandido pela encosta. Diz-se, também, que juntamente com a capela do Sobral, é um das mais antigas da Freguesia, para além, naturalmente, das capelas da sede da Freguesia
Ainda segundo a mesma tradição oral, a imagem de São Pedro, feita em Pedra, já existia antes da construção da capela, sendo nesses tempos guardada na casa dos habitantes da aldeia.
Independentemente das convicções religiosas de cada um de nós, consideramos que a capela é o património histórico mais relevante da aldeia e por isso ao longo das gerações houve sempre a preocupação de manter a dignidade deste espaço, através de obras de conservação e manutenção, que apesar da aplicação de novos materiais de construção, ao nível do exterior, manteve intacto o património essencial.
A necessidade de proceder a novas obras, associada às preocupações actualmente dominantes na aldeia, no sentido da reconstrução tradicional levou, e em nosso entender bem, a uma importante valorização do imóvel, que estamos certo orgulharia os nossos antepassados responsáveis pela construção original.
Conforme as fotos seguintes revelam, estas obras consistiram na colocação de tectos e porta em madeira, nova iluminação; telhado em lousa, escadaria em xisto e colocação lambrim exterior em xisto, colocando a capela do Soito como uma das mais preservadas da nossa zona que, de uma forma geral, tem “tratado mal” este tipo de património.
António Duarte
Etiquetas:
CAPELA DE SÃO PEDRO,
PATRIMÓNIO PRESERVADO,
SOITO
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