À semelhança do que já vem sendo habitual, a realização do tradicional magusto dos “Santos”, é uma excelente oportunidade para o regresso à nossa aldeia e a promoção do são convívio entre todos os amigos do Soito.
Este ano temos um fim-de-semana prolongado, uma vez que o feriado de 1 de Novembro é Segunda – Feira, o que facilita uma ida ao Soito menos apressada.
Este convívio realizar-se-á no Sábado, dia 30/10, a partir das 16H00 e incluirá:
16H00 – Lanche;
18H00 – Magusto;
21H00 – Fados de Coimbra – Grupo de Fados e Guitarradas de Coimbra / MINERVA, o que implica o pagamento de 5,00 € (excepto crianças até aos 12 anos).
A CM do Soito assegurará a aquisição das castanhas, bebidas, broa de cebola com carne, filhós e pão, pedindo-se a todos os associados e amigos que tenham essa possibilidade, sobretudo os que têm maior ligação à aldeia, para colaborem no fornecimento de outros produtos, para que tenhamos quantidade e variedade suficiente, sugerindo-se, a título de exemplo, que levem: queijos, chouriços, presunto, salgados, bolos ou outros doces, etc.
O financiamento das despesas com este convívio far-se-á através da venda de rifas para o sorteio de dois pequenos cabazes de produtos da nossa zona, no valor conjunto aproximado de 100,00 € (que incluirão, mel, nozes, queijo, castanhas, etc.), a fim de permitir um esforço mais equilibrado dos contributos dos participantes.
Para qualquer esclarecimento contacte-nos através de e-mail: cmdosoito@gmail.com ou 933496796 ou através da nossa página no Facebook.
Participe neste convívio e colabore connosco, a fim de, em conjunto, podermos garantir o futuro da nossa aldeia e venha ver o que já foi feito no âmbito do projecto de “valorização do espaço público do Soito”.
O Presidente da Direcção
(António A. Duarte)
domingo, 24 de outubro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Tradições do Soito - o fabrico do queijo
A pastorícia, a par da agricultura, sempre foi uma das actividades predominantes da nossa zona, sobretudo até ao final dos anos 60 do século passado, quando nas aldeias serranas se acelerou ainda mais o processo de desertificação já iniciado nas décadas anteriores.
Dentro dos vários produtos que associados a esta actividade (p.e. extracção de lã, venda das crias, consumo de carne, produção de estrume para as terras), destaca-se a produção de queijo, que salvo raras excepções era feito da mistura de leite de cabras e ovelhas, sendo que o primeiro era predominante, não só porque as cabras produzem maiores quantidades de leite, mas também porque a exiguidade dos terrenos aráveis e os respectivos declives, eram mais propícios a estes animais do que às ovelhas.
O fabrico ao queijo ocorria, predominantemente entre o mês de Fevereiro e mês de Julho, uma vez que era tradição a maioria das cabras e ovelhas parirem no final do ano / inicio do ano seguinte, após um período de gestação de 5 meses. Naturalmente que este período era o mais escolhido pelos donos do gado, a fim de que o período de crescimento das crias / produção de leite, se ajustasse ao período de maiores e melhores pastagens, que se verificava sobretudo a partir de Fevereiro do ano seguinte.
A extracção de leite iniciava-se 2/3 semanas após o nascimento das crias, que assim ficavam privadas de parte do seu alimento destinada a alimentar os seus donos, de forma directa, ou indirecta através do fabrico de queijo. Para o efeito as crias, cabritos e cordeiros, eram fechadas, sobretudo durante a noite, num compartimento específico dento do curral, designado de “prisco”
Pela manhã, quando as cabras e ovelhas já estavam de amojo cheio, procedia-se à ordenha, por norma para um recipiente de lata (a lata do leite), libertando-se então as crias que durante boa parte do dia tinham direito à totalidade do leite para a sua alimentação. Porém e logo que as crias se iniciavam na alimentação sólida, o período de clausura do “prisco” tendia a aumentar, a fim de que os respectivos donos pudessem extrair mais leite.
Este leite, após ser coado, a fim de filtrar algumas impurezas adquiridas na fase da ordenha, sobretudo pêlos dos animais, era adicionado de uma determinada porção de água, após infusão a frio da flor do cardo, planta existente na zona com características coagulantes, a fim de coalhar o leite.
Sobretudo nos dias de mais baixas temperaturas, o leite era colocado junto à lareira ou ao fogão de lenha, a fim de obter a temperatura necessária para ficar bem coalhado, ou seja com uma textura adequada ao fabrico do queijo. O tempo de coagulação do leite dependia da quantidade de cardo e da temperatura a que estava exposto, numa relação directa. Mas se bem me lembro variava entre 1 e 2 horas.
Após estar suficientemente coalhado fazia-se o queijo, sendo que esta era uma tarefa doméstica e por isso executada maioritariamente pelas mulheres. O processo de fabrico exigia um prato, sobre o qual se colocava um acincho (forma redonda aberta dos dois lados de diversos tamanhos conforme o tamanho do queijo pretendido e/ou a quantidade de leite existe) e as mãos bem lavadas.
A coalhada era colocada dentro do acincho em pequenas porções e ia sendo espremida pelas mãos, à medida que uma camada estava suficientemente espremida colocava-se a outra, virando-se o acincho do outro lado, até o queijo estar completo. O processo de prensagem assim efectuado é fundamental para que o queijo atinja a textura e o sabor desejados.
Concluído o queijo, era colocada a quantidade de sal desejada, ficando o mesmo dentro do acincho até ao dia seguinte, sendo então consumido fresco ou colocado numa queijeira (suporte em madeira), a fim de adquirir a secagem desejada ou de acordo com as necessidades de consumo mais ou menos imediatas.
Uma vez que a época do queijo terminava nos primeiros meses de Verão, o queijo para o resto do ano era sujeito a um processo de secagem mais longo, sendo posteriormente conservado em azeite dentro de talhas de barro.
O soro obtido após a extracção da coalhada para o fabrico do queijo, que na nossa zona se chamava “almece”, era aproveitado e comido com migas de broa, sobretudo pelas famílias mais carenciadas.
António Duarte
Dentro dos vários produtos que associados a esta actividade (p.e. extracção de lã, venda das crias, consumo de carne, produção de estrume para as terras), destaca-se a produção de queijo, que salvo raras excepções era feito da mistura de leite de cabras e ovelhas, sendo que o primeiro era predominante, não só porque as cabras produzem maiores quantidades de leite, mas também porque a exiguidade dos terrenos aráveis e os respectivos declives, eram mais propícios a estes animais do que às ovelhas.
O fabrico ao queijo ocorria, predominantemente entre o mês de Fevereiro e mês de Julho, uma vez que era tradição a maioria das cabras e ovelhas parirem no final do ano / inicio do ano seguinte, após um período de gestação de 5 meses. Naturalmente que este período era o mais escolhido pelos donos do gado, a fim de que o período de crescimento das crias / produção de leite, se ajustasse ao período de maiores e melhores pastagens, que se verificava sobretudo a partir de Fevereiro do ano seguinte.
A extracção de leite iniciava-se 2/3 semanas após o nascimento das crias, que assim ficavam privadas de parte do seu alimento destinada a alimentar os seus donos, de forma directa, ou indirecta através do fabrico de queijo. Para o efeito as crias, cabritos e cordeiros, eram fechadas, sobretudo durante a noite, num compartimento específico dento do curral, designado de “prisco”
Pela manhã, quando as cabras e ovelhas já estavam de amojo cheio, procedia-se à ordenha, por norma para um recipiente de lata (a lata do leite), libertando-se então as crias que durante boa parte do dia tinham direito à totalidade do leite para a sua alimentação. Porém e logo que as crias se iniciavam na alimentação sólida, o período de clausura do “prisco” tendia a aumentar, a fim de que os respectivos donos pudessem extrair mais leite.
Este leite, após ser coado, a fim de filtrar algumas impurezas adquiridas na fase da ordenha, sobretudo pêlos dos animais, era adicionado de uma determinada porção de água, após infusão a frio da flor do cardo, planta existente na zona com características coagulantes, a fim de coalhar o leite.
Sobretudo nos dias de mais baixas temperaturas, o leite era colocado junto à lareira ou ao fogão de lenha, a fim de obter a temperatura necessária para ficar bem coalhado, ou seja com uma textura adequada ao fabrico do queijo. O tempo de coagulação do leite dependia da quantidade de cardo e da temperatura a que estava exposto, numa relação directa. Mas se bem me lembro variava entre 1 e 2 horas.
Após estar suficientemente coalhado fazia-se o queijo, sendo que esta era uma tarefa doméstica e por isso executada maioritariamente pelas mulheres. O processo de fabrico exigia um prato, sobre o qual se colocava um acincho (forma redonda aberta dos dois lados de diversos tamanhos conforme o tamanho do queijo pretendido e/ou a quantidade de leite existe) e as mãos bem lavadas.
A coalhada era colocada dentro do acincho em pequenas porções e ia sendo espremida pelas mãos, à medida que uma camada estava suficientemente espremida colocava-se a outra, virando-se o acincho do outro lado, até o queijo estar completo. O processo de prensagem assim efectuado é fundamental para que o queijo atinja a textura e o sabor desejados.
Concluído o queijo, era colocada a quantidade de sal desejada, ficando o mesmo dentro do acincho até ao dia seguinte, sendo então consumido fresco ou colocado numa queijeira (suporte em madeira), a fim de adquirir a secagem desejada ou de acordo com as necessidades de consumo mais ou menos imediatas.
Uma vez que a época do queijo terminava nos primeiros meses de Verão, o queijo para o resto do ano era sujeito a um processo de secagem mais longo, sendo posteriormente conservado em azeite dentro de talhas de barro.
O soro obtido após a extracção da coalhada para o fabrico do queijo, que na nossa zona se chamava “almece”, era aproveitado e comido com migas de broa, sobretudo pelas famílias mais carenciadas.
António Duarte
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sábado, 7 de agosto de 2010
História da CM do Soito
Os primeiros dirigentes e suas precocupações
Na sequência dos textos que anteriormente aqui já publicámos ( carta aberta que precedeu a constituição da Comissão de Melhoramentos do Soito e a lista dos sócios fundadores), cabe-nos agora fazer referência ao início da actividade desta associação, incluindo os seus dirigentes e as primeiras preocupações no que respeita à realização de melhoramentos em prol da aldeia.
De facto e tendo em contas as actas das três primeiras Assembleias – Gerais que a seguir publicamos, destacam-se, desde logo e para além de outros nomes (p.e. Marcelino Antunes de Almeida, José Maria André e Urbano Marques), aqueles que viriam a marcara a história da CM do Soito até ao início dos anos 80 do século passado, designadamente:
Abel Nunes de Almeida
José Nunes de Almeida
Joao Duarte
José Martins Gomes
De destacar, também, ao nível da Delegação do Soito, o nome de António Nunes, conhecido como Sargento Nunes, um homem que durante muitos anos foi o comandante do Posto da GNR da Lousã e que, mesmo antes da constituição da Comissão foi uma das pessoas influentes no abastecimento de água potável à aldeia e na construção dos chafarizes, no início do anos cinquenta.
Por sua vez da acta nº 2, respeitante à Assembleia – Geral ocorrida em 1955, destaca-se a a abordagem do tema da estrada de ligação do Soito à estrada Rolão / Colmeal, que inicialmente se previa que fosse efectuada entre o Ventoso e a parte de cima da aldeia, no sítio da Relva.
De lembrar aqui que esta estrada apenas seria uma realidade no final dos anos sessenta, cerca de 15 anos depois e com um traçado bem diferente que é o que hoje conhecemos.
Eis as cópias das referidas actas:
António Duarte
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Património preservado - Espaço de Lazer a Eira
Quando as nossas aldeias eram densamente povoadas e a actividade agrícola era intensa, a generalidade das aldeias dispunha um espaço colectivo para a debulha do centeio, designado de “Eira”.
Por norma, era um espaço com chão de rocha suficientemente dura e previamente alisada, para onde, após a ceifa, o centeio era transportado em pequenos molhos, às costas, à cabeça, ou em carros de bois, para ali ser debulhado.
A utilização de um espaço ao ar livre, em detrimento dos soalhos dos palheiros ou mesmo das casas de habitação, feitos em madeira, onde se debulhava o milho, devia-se ao facto deste cereal ser mais difícil de extrair do que aquele, exigindo que a debulha se efectuasse nas horas de maior calor e mediante a utilização de uma ferramenta adequada, concretamente o mangualde, cujo manuseio exigia espaço e altura adequados.
Efectuada a “malha” ou “malhada” do centeio, os grãos eram estendidos ao sol para secagem, a fim de adquirirem a dureza necessária à moagem, sendo então guardados nas arcas, à semelhança do milho, a fim de serem moídos e utilizados durante o ano, para juntamente com a farinha de milho, fazer a broa, que era o alimento base dos povos da nossa zona.
Por sua vez a palha de centeio tinha também várias utilizações que iram desde o enchimento dos colchões para as camas (como eles picavam), à sua colocação nas caldeias dos alambiques no âmbito do fabrico de aguardentes, a fim de que a “massa” não agarrasse, à cobertura de currais ou mesmo como pasto para os animais durante o Inverno.
Tanto quanto me lembro, a “Eira” do Soito, foi utilizada até finais dos anos 60 do século passado, data a partir da qual foi abandonada, quer porque nessa altura o centeio já era mais escasso, devido à desertificação humana, mas sobretudo, porque foi então construída a actual estrada rodoviária, que destruiu cerca de metade da sua área.
Este espaço situa-se a cerca de 50 metros do início da aldeia, do lado direito, no percurso Colmeal – Soito (antes era cruzado pela estrada de carros de bois entre o Soito e o Colmeal), e devido à sua destruição parcial e entulhamento pelos resíduos trazidos pela levada ao longo de cerca de 40 anos, estava irreconhecível até há cerca de 2 anos, quando iniciámos as obras destinada a dar alguma dignidade ao local, preservando a memória colectiva e construindo ali um pequeno espaço de lazer.
Durante o ano de 2009 e contando e mediante a colaboração da arquitecta paisagista Liliana Santos, dirigente local da CM do Soito, bem como com a colaboração de outros profissionais qualificados, o espaço da antiga Eira que sobreviveu à passagem da actual estrada (cerca de ½ do inicial), acrescido de uma pequena parcela de terreno que nos foi cedida pelo nosso associado e dirigente Carlos Alberto do Santos de Almeida, ganhou nova dignidade.
O aproveitamento daquele espaço, onde foram gastos cerca de 4.000,00€, envolveu o desentulhamento da antiga Eira e do terreno que lhe foi acrescido, a construção de muros laterais de suporte, a construção de uma cascata alimentada pela levada que atravessa a aldeia, a construção de bancos em pedra, canteiros e estrutura de ensombramento em madeira tratada, bem como a plantação de trepadeiras. Para a conclusão total faltam apenas alguns arranjos ao nível da entrada e a devida sinalização para que seja vista por quem passa na estrada.
Estamos certos que os nossos antepassados, para quem aquele espaço teve outra utilidade, ficariam satisfeitos pelo aspecto que o mesmo actualmente apresenta, conforme se demonstra pelas fotos seguintes:
António Duarte
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Soito - uma aldeia com entradas convidativas
Entradas do Soito
De certa forma podemos dizer que a entrada de uma aldeia nos diz um pouco daquilo que ela será por dentro, o que nem sempre é verdade, face à existência de condicionantes específicas, como é o caso das construções particulares, por vezes desinseridas da traça arquitectónica da zona.
De qualquer modo e tendo como ponto de partida as referidas limitações, muito poderemos fazer para melhorar as entradas / saídas das nossas aldeias, assumindo aqui o tal papel de “regionalistas à moda antiga”, até porque dificilmente as nossas autarquias têm condições para embelezar, adequadamente, um multiplicidade de aldeias espalhadas pela serra, concentrando, por norma, esse esforço, nas sedes Concelhias e nas sedes das freguesias mais importantes.
É neste sentido que, estando a aldeia do Soito envolvida num processo de grande transformação ao nível da reconstrução tradicional, ao nível colectivo e individual e da valorização do património colectivo, nos vimos preocupando, também, com o seu aspecto exterior, a fim de que apresente um aspecto atractivo para quem nos visita, mas também para todos os que passam na estrada municipal Góis / Fajão, que assim ficarão com imagem de uma aldeia cuidada, que convida a uma visita ao seu interior.
Nesta linha de raciocínio, iniciámos, há cerca de 5 anos um processo de melhoria das bermas da referida estrada municipal, com a plantação de várias árvores na direcção Soito-Fajão-Malhada (castanheiros, cerejeiras e figueiras), ao mesmo tempo que na Direcção Soito-Colmeal-Góis, recorremos a uma empresa de jardinagem então existente na zona, que ali plantou várias espécies de arbustos e plantas, que dão uma beleza ímpar às referidas bermas, especialmente na Primavera e no Verão.
De referir, também, que a manutenção destes espaços, que em breve serão ampliados, implica a limpeza das bermas (este ano numa maior extensão por parte da Junta de Freguesia do Colmeal), bem como a rega durante o Verão, o que actualmente é feito por um sistema de rega gota a gota, accionado automaticamente, cujos custos iniciais são largamente compensados pelos benefícios futuros.
Por fim não podemos deixar de referir que o actual executivo da Junta de Freguesia do Colmeal procedeu, também, à plantação de várias cerejeiras nas entradas do Soito, bem como noutras aldeias, garantindo a sua manutenção, o que nos parece ser um aspecto bastante positivo para a atractividade das nossas aldeias, sendo também de salientar
Para ilustrar o que acabámos de referir, vejamos as fotos seguintes feitas há cerca de 2 semanas.
António Duarte
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domingo, 11 de julho de 2010
Memórias do Soito e do Colmeal - espólio de António Marques de Almeida
António Martins Mendes e a Ponte sobre o Ribeiro do Soito
António Martins Mendes nasceu no Soito, casou no Colmeal com Ludovina da Conceição Ferreira Mendes e teve quatro filhos: Maria Amélia, Américo, Ângela e João Mendes, todos já falecidos, à excepção deste último, actualmente com cerca de 80 anos.
Teve vários netos entre os quais a Maria da Conceição Mendes das Neves, filha de Maria Amélia e actual esposa de António Marques de Almeida.
Esteve ligado desde início à UPFC, integrando os seus órgãos sociais, sendo que no período de 1993/1934, fazia parte da Direcção constituída pelos seguintes elementos “Manuel Nunes de Almeida, Albano Gonçalves de Almeida, Francisco Luís, António Domingos Neves, António Martins Mendes, José Augusto Elias de Almeida e António Nunes Major” (in Boletim “O Colmeal” Nº 124, de Fevereiro de 1974, republicado no dia 10 de Dezembro de 2009 em http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com).
No mesmo texto que acabámos de citar referia-se que, em 14-4-1933 “estuda-se a possibilidade de construção de uma ponte em pedra sobre o ribeiro do Soito, pedindo-se à Delegação o respectivo orçamento.
Em 13-5-1933 decide-se oficiar à C. M. Góis pedindo a execução gratuita da planta desta obra, mas a resposta é negativa, por ser inteiramente impossível atender o pedido.
Em face disto, resolve a Direcção construir-se a ponte mesmo sem planta, encarregando-se a Delegação de elaborar o respectivo caderno de encargos da obra, cujo orçamento era de 3.000$00.
….
Em 11-1-1934, a Delegação da UPFC notifica que a obra da ponte sobre o ribeiro do Soito está concluída, mas só em 12-7-34 se oficia à C. M: Góis fazendo a sua entrega, depois de se ter completado o pagamento de 1.100$00 à Delegação (5-4-34) e 60$00 à Junta de Freguesia”.
Assim sendo, António Domingos Mendes, enquanto membro da Direcção da UPFC esteve ligado à primeira grande obra projectada e construída por esta e que foi a ponte em pedra sobre o ribeiro do Soito, substituindo a antiga ponte em madeira existente naquele local.
Tratava-se de uma importante obra que permitia a ligação de boa parte das aldeias à sede da Freguesia (Soito, Malhada, Carrimá, Foz-da-Cova e Quinta de Belide), bem como a passagem do “trânsito” com a vizinha Freguesia de Fajão.
Embora tenhamos informação suficiente para, através desta forma, prestarmos uma justa homenagem a este ilustre conterrâneo, que faleceu em 1957, a sua participação activa no regionalismo, através da UPFC, e especialmente a sua ligação à construção da ponte do Soito, são motivos para a publicação deste singelo texto.
Por último refira-se que esta ponte foi posteriormente aproveitada, após alargamento e reforço de estruturas, para servir a actual estrada que passa no mesmo local, embora se deva dizer que as ditas obras tornando-a adaptada às necessidades actuais (embora um pouco estreita), descaracterizaram a sua beleza inicial.
Seguem-se algumas fotos da referida ponte, na sua fase inicial e após a sua adaptação ao trânsito rodoviário.
Ponte do Soito após obras de adaptação ao trânsito rodoviário
António Duarte
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
Tradições do Soito - Apanha da azeitona / confecção do azeite
O soito era uma terra com muita azeitona, que era apanhada durante várias semanas, entre Novembro e Janeiro, sendo acondicionada nas lojas das habitações e nalguns casos em tulhas junto ao lagar e conservada com sal.
Já mais próximo de fazer o azeite a azeitona era transportada às costas ou em carros de bois (na aldeia havia entre 1 e 2 juntas de bois) para o lagar da “ponte de ceiroco”, na Ribeira de Carrimá, que servia a aldeia do Soito, Carrimá, Boiças e Vale Pardieiro.
Cada proprietário marcava o seu dia ou dias para fazer o azeite, dependendo da quantidade de azeitona que possuía. No dia de fazer o azeite teria de fornecer lenha para a fornalha do lagar e comida para os lagareiros que, na maioria das vezes era feita na fornalha do lagar, sendo daqui originário o famoso prato de bacalhau à lagareiro, o qual, tal como as batatas “a murro”, era assado na brasa e temperado com o azeite acabado de fazer.
Os lagareiros, mestre e moço, trabalhavam dia e noite de forma contínua (com alguns intervalos de descanso enquanto o moinho moía as azeitonas e a prensa ia espremendo as que tinham sido moídas anteriormente), sendo na maioria das vezes acompanhados durante a noite pelos donos da azeitona, que também ali pernoitavam.
Após o processo de moagem das azeitonas, a massa resultante era colocada em “ceiras” que eram depositadas umas sobre as outras na zona adequada à prensagem. Após este processo procedia-se ao accionamento da prensa, rodando um fuso com uma pedra de grandes dimensões acoplada na base e que na parte superior se encontrava enroscado numa “vara”, constituída por um enorme tronco de sobreiro, suportado no outro extremo por um eixo na parede do edifício do lagar.
O produto que escorria da prensa incluía o azeite e o “azilabre” (uma mistura de água e dos outros resíduos da azeitona), ia parar à “tarefa”, que era uma espécie de pote profundo, composto por duas partes, a parte inferior para onde ia a água e a parte superior onde ficava o azeite, por ser substancialmente mais leve (ainda hoje se diz que a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima).
A perícia do mestre lagareiro consistia em abrir uma torneira na parte inferior da “tarefa”, de forma a mandar fora o azilabre e manter o azeite. Este trabalho exigia muita perícia, mexendo a tarefa com uma fina vara de madeira, para saber exactamente onde terminava o azilabre e começava o azeite. Por vezes aconteciam pequenos acidentes e lá ia uma parte do azeite para a ribeira.
Para além de fornecer a comida aos lagareiros e a lenha para as caldeiras que se destinavam a aquecer a água para caldear (a fim de obter mais azeite e após uma primeira prensagem, as ceiras eram retiradas e caldeadas com água quente, sendo de novo colocadas na prensa para serem espremidas de novo), também o trabalho dos lagareiros e o pagamento ao dono do lagar eram feitos do próprio azeite obtido, este último pagamento designava-se de “poia”. No lagar havia também uma talha para onde todos davam uma pequena quantia de azeite para o “santíssimo”, inicialmente destinado à iluminação da igreja do Colmeal e posterior com a evolução para as velas e luz eléctrica, destinado a ser vendido e a angariar fundos para a mesma igreja.
Aquela talha (pequeno pote), integra hoje o espaço museológico do Soito, por doação do actual proprietário do lagar, que funcionou até há cerca de 6 anos atrás.
O azeite era transportado para a aldeia em bilhas de lata ou em odres (recipiente feito em pele de cabra), sendo então guardado em potes de barro.
Para além do tempero, o azeite, a par da banha de porco e naturalmente do sal, era também usado para conservar os alimentos durante o ano inteiro (sobretudo o queijo e algumas partes do porco), uma vez que o Soito só teve luz eléctrica a partir de 1979.
sábado, 12 de junho de 2010
Memórias do Soito e do Colmeal - Espólio de António Marques de Almeida (Comeal)
Na sequência do texto e fotos que aqui publicámos no passado dia 2010/06/05, sobre alguns aspectos da vida de Adelino Brás de Almeida, nascido no Soito em 1879 e que no Colmeal teve estabelecimento de mercearias, vinhos e miudezas e oficina de sapateiro, publicamos agora mais algumas fotos de deste nosso conterrâneo e respectiva família, esperando que estas publicações sejam um estímulo para que alguns dos nossos “leitores” que disponham de material idêntico o disponibilizem, também, para publicação.
É que a História do Soito, bem como a das restantes aldeias da nossa zona faz-se, sobretudo, pela história das pessoas que ali nascerem e/ou viveram e que, aprendendo com a dureza da vida nas nossas terras, se tornaram seres humanos de grande capacidade e iniciativa, capazes de vencer em qualquer em qualquer parte do mundo para onde se deslocaram, sem nunca esquecerem o seu torrão natal.
Guia de inspecção militar de António Brás de Almeida
Livro de registo do estabelecimento com anotações do direito às água de rega nas terras da "quinta"
Fotos de família: da esquerda para a direita – Virgínia e netos (os 3 irmãos mais velhos de António Marques de Almeida); Adelino e Virgínia; filha e três netos.
Batizado
Ainda com base na informação que nos foi cedida por António Marques de Almeida, o próximo texto a publicar falará um pouco de António Martins Mendes, natural do Soito e que também teve uma importante participação no regionalismo, através da União Progressiva da Freguesia do Colmeal.
António Duarte
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
Saúde do Concelho de Góis na Casa Regional
Intervenções de profissionais e da Presidente da Câmara
A Casa do Concelho de Góis, através do seu Conselho Regional, ocupou-se no passado sábado do "estado da saúde no concelho", convidando pessoas conhecedoras do assunto, como o Dr. Figueiredo Fernandes, presidente do Conselho Clínico do Agrupamento de Centro de Saúde do Pinhal Interior Norte (Lousã); Dr. Avelino Pedroso, vogal do mesmo Conselho Clínico; Dr. Manuel Gama, clínico geral no sector privado no Concelho de Góis; e a Drª Maria de Lurdes Castanheira, presidente da Câmara Municipal de Góis.
A Casa estava razoavelmente cheia, apesar de àquela mesma hora, ali ao lado, no Marquês de Pombal e Avenida da Liberdade, uma multidão de muitos milhares de pessoas se preparassem para a manifestação organizada pela C.G.T.P contra as políticas do governo, designadamente subida de impostos. Mas os regionalistas interessam-se sobretudo por aquilo que às suas terras diz respeito e pela assistência à saúde nessa região do interior do País, que sempre foi uma preocupação dos rurais.
Constituída a mesa pelos referidos convidados e ainda pelo vice-presidente do Conselho Regional, Dr. Fernando Cunha, o presidente do mesmo Conselho Regional da Casa, Dr. Luís Martins, saudou e agradeceu a presença de convidados e explicou as razões e oportunidade aquele encontro e aquilo que lhe estava inerente.
Interveio em primeiro lugar, o Dr. Figueiredo Fernandes, que começou por agradecer a presença da presidente da Câmara de Góis, cuja colaboração é muito importante para os profissionais de saúde. Analisou a importância do médico de família (ter um médico desde que se nasce até que se morre), e fez uma análise o mais completa possível sobre a saúde e a medicina na área do Pinhal Interior Norte, que abrange oito Concelhos da Beira Serra, em que estão incluídos os da nossa antiga comarca. Enalteceu o que se tem conseguido após o 25 de Abril na área do serviço nacional de família com a participação do poder local.
O Dr. Avelino Pedroso, vice-presidente da Câmara de Arganil, ocupou-se de aspectos sociais e administrativos naquela área dos 8 concelhos, citando números e percentagens, salientando a baixa percentagem de natalidade que se tem verificado e um grande índice de envelhecimento que exige acrescidos cuidados de saúde. Citou diversos indicadores de saúde e recordou os avanços que se tem conseguido ao evitar mais mortalidade infantil, havendo todavia um longo caminho a percorrer no que se refere ao tratamento e utilização de esgotos e também no abastecimento de água. Citou números de - profissionais de saúde e unidades de internamento. De seguida interveio o Dr. Manuel Gama, que sublinhou que a medicina particular, que tem exercido nos concelhos de Góis e de Arganil, ainda é cara para os utentes que têm de pagar os exames necessários, acrescentando que nos devemos voltar mais para a acção da saúde preventiva.
A presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, felicitou o Conselho Regional da Casa de Góis por esta iniciativa e saudou os presentes, designadamente os representantes das colectividades regionalistas, sempre interessados pelas coisas das suas terras e especialmente no que se refere à assistência na saúde. Enalteceu as intervenções dos médicos intervenientes e salientou o facto de termos em Góis, o Dr. Manuel Gama como médico residente.
Afirmou que a Câmara está sempre preocupada com a assistência à saúde no Concelho, aludindo à situação na área de cada uma das cinco freguesias.
O Dr. Figueiredo Fernandes manifestou a sua simpatia pela acção da presidente da Câmara de Góis e pelas palavras dirigidas ao Dr. Manuel Gama. Realçando os riscos e urgência quando se trata, por exemplo, de um A.V.C, e da importância que nisso têm as acessibilidades, citando a reconstrução da estrada 342, que é para nós mais urgente que o TGV". Concluiu apontando o avanço que se tem conseguido na diminuição das taxas de mortalidade infantil, assim como na mortalidade materna.
O Dr. Fernando Cunha, farmacêutico, fez algumas oportunas considerações sobre medicamentos, que também irão ficar mais caros com a subida dos impostos.
O tema mereceu o maior interesse dos presentes, havendo um período de perguntas, designadamente por parte do Dr. Álvaro Henriques de Almeida (Mega Cimeira), João Reis (Cortes) e Victor Marques (AIvares), a freguesia mais distante de Góis e muito ligada a Pedrogão Grande, e ainda de Victor Manuel Nogueira Dias (Vító)." que respondeu o Dr. Figueiredo Fernandes.
O presidente da direcção da Casa de Góis, José Dias, agradeceu por fim aos intervenientes neste debate, que despertou muito interesse e convidou-os para um beberete no Bar da Casa.
António Lopes Machado
in Jornal de Arganil, 3/06/2010
A Casa do Concelho de Góis, através do seu Conselho Regional, ocupou-se no passado sábado do "estado da saúde no concelho", convidando pessoas conhecedoras do assunto, como o Dr. Figueiredo Fernandes, presidente do Conselho Clínico do Agrupamento de Centro de Saúde do Pinhal Interior Norte (Lousã); Dr. Avelino Pedroso, vogal do mesmo Conselho Clínico; Dr. Manuel Gama, clínico geral no sector privado no Concelho de Góis; e a Drª Maria de Lurdes Castanheira, presidente da Câmara Municipal de Góis.
A Casa estava razoavelmente cheia, apesar de àquela mesma hora, ali ao lado, no Marquês de Pombal e Avenida da Liberdade, uma multidão de muitos milhares de pessoas se preparassem para a manifestação organizada pela C.G.T.P contra as políticas do governo, designadamente subida de impostos. Mas os regionalistas interessam-se sobretudo por aquilo que às suas terras diz respeito e pela assistência à saúde nessa região do interior do País, que sempre foi uma preocupação dos rurais.
Constituída a mesa pelos referidos convidados e ainda pelo vice-presidente do Conselho Regional, Dr. Fernando Cunha, o presidente do mesmo Conselho Regional da Casa, Dr. Luís Martins, saudou e agradeceu a presença de convidados e explicou as razões e oportunidade aquele encontro e aquilo que lhe estava inerente.
Interveio em primeiro lugar, o Dr. Figueiredo Fernandes, que começou por agradecer a presença da presidente da Câmara de Góis, cuja colaboração é muito importante para os profissionais de saúde. Analisou a importância do médico de família (ter um médico desde que se nasce até que se morre), e fez uma análise o mais completa possível sobre a saúde e a medicina na área do Pinhal Interior Norte, que abrange oito Concelhos da Beira Serra, em que estão incluídos os da nossa antiga comarca. Enalteceu o que se tem conseguido após o 25 de Abril na área do serviço nacional de família com a participação do poder local.
O Dr. Avelino Pedroso, vice-presidente da Câmara de Arganil, ocupou-se de aspectos sociais e administrativos naquela área dos 8 concelhos, citando números e percentagens, salientando a baixa percentagem de natalidade que se tem verificado e um grande índice de envelhecimento que exige acrescidos cuidados de saúde. Citou diversos indicadores de saúde e recordou os avanços que se tem conseguido ao evitar mais mortalidade infantil, havendo todavia um longo caminho a percorrer no que se refere ao tratamento e utilização de esgotos e também no abastecimento de água. Citou números de - profissionais de saúde e unidades de internamento. De seguida interveio o Dr. Manuel Gama, que sublinhou que a medicina particular, que tem exercido nos concelhos de Góis e de Arganil, ainda é cara para os utentes que têm de pagar os exames necessários, acrescentando que nos devemos voltar mais para a acção da saúde preventiva.
A presidente da Câmara Municipal de Góis, Dr.ª Maria de Lurdes Castanheira, felicitou o Conselho Regional da Casa de Góis por esta iniciativa e saudou os presentes, designadamente os representantes das colectividades regionalistas, sempre interessados pelas coisas das suas terras e especialmente no que se refere à assistência na saúde. Enalteceu as intervenções dos médicos intervenientes e salientou o facto de termos em Góis, o Dr. Manuel Gama como médico residente.
Afirmou que a Câmara está sempre preocupada com a assistência à saúde no Concelho, aludindo à situação na área de cada uma das cinco freguesias.
O Dr. Figueiredo Fernandes manifestou a sua simpatia pela acção da presidente da Câmara de Góis e pelas palavras dirigidas ao Dr. Manuel Gama. Realçando os riscos e urgência quando se trata, por exemplo, de um A.V.C, e da importância que nisso têm as acessibilidades, citando a reconstrução da estrada 342, que é para nós mais urgente que o TGV". Concluiu apontando o avanço que se tem conseguido na diminuição das taxas de mortalidade infantil, assim como na mortalidade materna.
O Dr. Fernando Cunha, farmacêutico, fez algumas oportunas considerações sobre medicamentos, que também irão ficar mais caros com a subida dos impostos.
O tema mereceu o maior interesse dos presentes, havendo um período de perguntas, designadamente por parte do Dr. Álvaro Henriques de Almeida (Mega Cimeira), João Reis (Cortes) e Victor Marques (AIvares), a freguesia mais distante de Góis e muito ligada a Pedrogão Grande, e ainda de Victor Manuel Nogueira Dias (Vító)." que respondeu o Dr. Figueiredo Fernandes.
O presidente da direcção da Casa de Góis, José Dias, agradeceu por fim aos intervenientes neste debate, que despertou muito interesse e convidou-os para um beberete no Bar da Casa.
António Lopes Machado
in Jornal de Arganil, 3/06/2010
sábado, 5 de junho de 2010
Memórias do Soito e da Freguesia do Colmeal – contributos de António Marques de Almeida
Quando iniciámos este BLOG solicitámos aos nossos “leitores” para nos enviarem fotos de pessoas Soito ou de alguma forma relacionadas com a aldeia, histórias, notícias ou outros elementos importantes relacionados com aldeia e/ou com o regionalismo.
Infelizmente e até ao momento, apenas tivemos “feedback” de uma pessoa que não sendo do Soito, tem também origens na nossa aldeia e é sem dúvida uma das pessoas que conheço, com ligações à nossa Freguesia, que mais preserva a memória dos seus antepassados e ao mesmo tempo aspectos importantes do passado colectivo das nossas aldeias.
O espólio de documentação e de fotos que dispõe, muito do qual já publicado no BLOG da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com/) e no seu BLOG pessoal (http://sol.sapo.pt/blogs/guayaes), bem como a divulgação da nossa Freguesia na sua página no FACEBOOK, são disso prova irrefutável.
António Marques de Almeida, filho de naturais do Colmeal, é de facto um cidadão do mundo, fruto da diáspora portuguesa que levou também muitos dos nossos conterrâneos para fora do país em busca de melhores condições de vida. Nasceu na Venezuela, onde viveu até boa parte da sua vida, tendo-se posteriormente fixado em Lisboa, onde actualmente vive.
Visita com frequência o Colmeal e as outras aldeias da Freguesia, sempre acompanhado da sua inseparável máquina fotográfica.
A imagem que tenho do António é de uma pessoa que busca incessantemente o conhecimento das suas origens e da cultura das nossas terras, divulgando-a através dos meios electrónicos hoje disponíveis, para além de quaisquer rivalidades entre aldeias, até porque, no fundo, toda a Freguesia do Colmeal tem uma cultura comum e também, em termos populacionais, não passa de uma pequena aldeia.
Para esta perspectiva de olhar a Freguesia do Colmeal como um todo, terá contribuído também, certamente, o facto do seu avô materno Adelino Brás de Almeida ser natural do Soito, e a sua avó materna Virgínia de Jesus, natural de Ádela.
Fazendo jus ao que acabámos de referir o António Marques de Almeida, forneceu-nos material importante que para publicação neste BLOG (fotos e outra documentação relacionadas com pessoas do Soito), bem como algum do espólio do seu avô Adelino Brás de Almeida, que ainda que de forma provisória já se encontra exposto no Espaço Museológico do Soito.
Nesta primeira publicação do material que fez o favor de nos enviar, falemos então de Adelino Brás de Almeida.
Adelino e Virgínia
Adelino Brás de Almeida era natural do Soito, onde nasceu em 3 de Fevereiro de 1879, filho de António Domingos e Maria Isabel. Esteve emigrado nos Estados Unidos da América e regressou a Portugal em 1907, casou com uma senhora do Colmeal, de nome Maria José.
Após ter ficado viúvo da primeira mulher, casou com Virgínia de Jesus de Almeida em 1924, tendo tido duas filhas, uma de nome Virgínia de Almeida, mãe do António que nos forneceu esta informação e outra de nome Beatriz que faleceu ainda jovem.
Tinha a profissão de sapateiro e no Colmeal, junto à antiga capela de São Nicolau (actualmente Centro Paroquial), dispunha de um estabelecimento polivalente – de um lado um estabelecimento de mercearias, vinhos e miudezas e do outro a oficina de sapateiro.
A sua actividade de sapateiro era aliás referenciada no Anuário Comercial do Concelho de Góis, de 1910, na parte respeitante à Freguesia do Colmeal (publicado no BLOG da UPFC em 2009/07/21 - in http:museudoesporao.blogspot.com).
Segundo o neto António, Adelino Brás de Almeida deslocava-se numa égua pela freguesia e pelos outros lugares da zona, a fim de levar e receber o calçado para consertar ou tirar as medidas para confeccionar sapatos e botas à medida dos fregueses. A numeração do calçado correspondia ao número de pontos utilizados na sua feitura.
Apesar de lamentar o facto de seus pais não terem valorizado o espólio deixado pelo avô, António Marques de Almeida, encontrou ainda um conjunto importante de objectos, sobretudo ligados à profissão de sapateiro, que depois de devidamente anotados ofereceu ao Espaço Museológico do Soito, onde estão expostos ainda de forma provisória.
De seguida publicam-se algumas fotos dos mesmos objectos que também nos foram remetidas pelo António Marques de Almeida.
António Duarte
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Uma Jornada às memórias de Góis - Visita ao Espaço Museológico do Soito em 12 de Julho
No há património sem memória. A memória perde-se no tempo se não a preservamos. Os espaços museológicos são locais privilegiados para preservar as memórias, o património das comunidades.
Góis é um concelho com uma riqueza inquestionável, que transparece nas sensações e cores patentes na sua biodiversidade paisagística; nos saberes e tradições que resistem à dureza do tempo; no património de cariz histórico, arqueológico, arquitectónico e etnográfico que engrandece a sua cultura.
Nos últimos anos têm sido criados, muitas vezes por iniciativa de associações ou outras agremiações concelhias, um pouco por todo o concelho, núcleos museológicos com o mote comum de preservar e divulgar o vasto, rico e, grande parte das vezes desconhecido património cultural concelhio.
Com intuito de divulgar e dar a conhecer a riqueza cultural que estes núcleos museológicos encerram vai a Câmara Municipal de Góis promover, no dia 12 de Junho, uma visita
aos espaços museológicos do Concelho de Góis, no período entre as 09h30 e as 15h30, devendo os interessados contactar o Posto de Turismo de Góis para efeitos de inscrição e outras informações.
Esta iniciativa contempla a visita à Colecção Museológica de Góis, Núcleo Museológico da Cabreira, Núcleo Museológico do Soito, Núcleo Museológico do Esporão, Museu Paroquial de Arte Sacra e Casa do Ferreiro.
Gabinete de Imprensa CMG
Góis é um concelho com uma riqueza inquestionável, que transparece nas sensações e cores patentes na sua biodiversidade paisagística; nos saberes e tradições que resistem à dureza do tempo; no património de cariz histórico, arqueológico, arquitectónico e etnográfico que engrandece a sua cultura.
Nos últimos anos têm sido criados, muitas vezes por iniciativa de associações ou outras agremiações concelhias, um pouco por todo o concelho, núcleos museológicos com o mote comum de preservar e divulgar o vasto, rico e, grande parte das vezes desconhecido património cultural concelhio.
Com intuito de divulgar e dar a conhecer a riqueza cultural que estes núcleos museológicos encerram vai a Câmara Municipal de Góis promover, no dia 12 de Junho, uma visita
aos espaços museológicos do Concelho de Góis, no período entre as 09h30 e as 15h30, devendo os interessados contactar o Posto de Turismo de Góis para efeitos de inscrição e outras informações.
Esta iniciativa contempla a visita à Colecção Museológica de Góis, Núcleo Museológico da Cabreira, Núcleo Museológico do Soito, Núcleo Museológico do Esporão, Museu Paroquial de Arte Sacra e Casa do Ferreiro.
Gabinete de Imprensa CMG
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Tradições do Soito - O fabrico da farinha de milho e centeio
No perímetro do Soito havia vários moinhos para moer os cereais de várias aldeias, sendo 2 no Rio Ceira (moinho do Cabeceiro, exclusivo do Soito e do Boiço, que também era utilizado por pessoas de Carrimá, Malhada, Loural e Aldeia velha), 3 na Ribeira do Soito (Ribeiro, Pedrancha e Foz do Corgo) e ainda um dentro da aldeia que moía quando se abria o poço da rega (moinho do Curtinhal, que actualmente integra o património museológico da aldeia).
Estes moinhos, todos movidos a água, implicavam a manutenção de açudes e levadas para que a água chegasse em quantidade suficiente. Chegada junto ao moinho, a água era projectada a uma altitude adequada e declive adequados, através de uma caleira em madeira (feita por escavação com uma enchó num tronco de pinheiro), a fim de que o rodízio, situado na parte inferior do moinho, se movesse, fazendo assim girar a mó.
O moinho é composto por duas mós, uma móvel acoplada ao rodízio e uma fixa sobre a qual a primeira se move a fim de fazer a farinha, quanto maior for a distância entre as mós, mais grossa será a farinha e vice-versa. Esta distância ajusta-se através de dispositivo próprio chamado pau da cruz, conforme o tipo de cereal a moer e a espessura que se pretenda.
Para além das mós e do rodízio, o moinho tem ainda o reservatório onde se coloca o cereal, em forma de funil rectangular (moega), uma espécie de caleira por onde o cereal se dirige para o buraco central da mó móvel em direcção ao espaço entre as duas mós (a quelha), mediante a turbulência provocada por uma pequena roda de cortiça (cadelo) que vai saltitando sobre aquela mó.
A generalidade destes moinhos eram colectivos, com maior expressão dos que se situavam no rio que eram praticamente de todos os habitantes da aldeia (s), que conforme as posses e as necessidades, tinham direito a moer por um determinado número de horas por semana.
Sobretudo no Verão e nos anos de maior seca, apenas os moinhos do rio tinham água suficiente para moer, o que originava que estes não tivessem mãos a medir, trabalhando de forma contínua, pelo que todas as famílias tinham de aproveitar as horas a que tinham direito, mesmo que o seu período de utilização se iniciasse durante a noite, o que acontecia com frequência.
Assim, eram frequentes as deslocações ao moinho em noites escuras e por vezes frias, carregando, às costas, pesados sacos de cereal ou farinha, com uma lanterna de azeite na mão, a fim de alumiar os tortuosos e inclinados caminho. Era frequente a lanterna apagar-se devido ao vento, deixando as pessoas completamente às escuras e com dificuldade em a reacender de novo. Eram tempos difíceis, que apesar de tudo sabe bem recordar.
Por vezes acontecia que o moinho de “alodava”, eventualmente devido aos cereais não estarem suficientemente secos ou pelo inadequado ajustamento das mós, o que atrofiava a moagem e originava do desperdício dos respectivos cereais. Esta era uma situação que gerava o desespero das pessoas afectadas, quer pelos estragos causados, quer pelo facto de não terem obtido a farinha que necessitavam.
Era habitual as crianças a partir dos 6 anos acompanharem o pai ou a mãe, a fim de lhe fazer companhia nestas viagens nocturnas, segurando a lanterna e ajudando a dissipar os medos do desconhecido (lobisomens, bruxas e almas penadas que pairavam sobre aqueles caminhos escuros e íngremes).
Também aqui se verificava o espírito de entre ajuda das pessoas na aldeia, uma vez que era frequente as pessoas que iam buscar a farinha, findo o seu tempo de moagem, levarem o grão dos vizinhos que iriam utilizar as horas seguintes e vice-versa. Era também uma forma de minimizar o esforço de que todos beneficiavam.
Para além da farinha para a broa, de milho (em maior quantidade) e de centeio (em menor quantidade), fazia-se uma moagem específica a fim de obter os “carolos”, uma farinha de milho mais grossa, típica da zona, que eram cozida em água, a fim de fazer acompanhamento (de carne, sardinhas, etc) e da qual também se faziam uma espécie de papas doces.
Estes moinhos, todos movidos a água, implicavam a manutenção de açudes e levadas para que a água chegasse em quantidade suficiente. Chegada junto ao moinho, a água era projectada a uma altitude adequada e declive adequados, através de uma caleira em madeira (feita por escavação com uma enchó num tronco de pinheiro), a fim de que o rodízio, situado na parte inferior do moinho, se movesse, fazendo assim girar a mó.
O moinho é composto por duas mós, uma móvel acoplada ao rodízio e uma fixa sobre a qual a primeira se move a fim de fazer a farinha, quanto maior for a distância entre as mós, mais grossa será a farinha e vice-versa. Esta distância ajusta-se através de dispositivo próprio chamado pau da cruz, conforme o tipo de cereal a moer e a espessura que se pretenda.
Para além das mós e do rodízio, o moinho tem ainda o reservatório onde se coloca o cereal, em forma de funil rectangular (moega), uma espécie de caleira por onde o cereal se dirige para o buraco central da mó móvel em direcção ao espaço entre as duas mós (a quelha), mediante a turbulência provocada por uma pequena roda de cortiça (cadelo) que vai saltitando sobre aquela mó.
A generalidade destes moinhos eram colectivos, com maior expressão dos que se situavam no rio que eram praticamente de todos os habitantes da aldeia (s), que conforme as posses e as necessidades, tinham direito a moer por um determinado número de horas por semana.
Sobretudo no Verão e nos anos de maior seca, apenas os moinhos do rio tinham água suficiente para moer, o que originava que estes não tivessem mãos a medir, trabalhando de forma contínua, pelo que todas as famílias tinham de aproveitar as horas a que tinham direito, mesmo que o seu período de utilização se iniciasse durante a noite, o que acontecia com frequência.
Assim, eram frequentes as deslocações ao moinho em noites escuras e por vezes frias, carregando, às costas, pesados sacos de cereal ou farinha, com uma lanterna de azeite na mão, a fim de alumiar os tortuosos e inclinados caminho. Era frequente a lanterna apagar-se devido ao vento, deixando as pessoas completamente às escuras e com dificuldade em a reacender de novo. Eram tempos difíceis, que apesar de tudo sabe bem recordar.
Por vezes acontecia que o moinho de “alodava”, eventualmente devido aos cereais não estarem suficientemente secos ou pelo inadequado ajustamento das mós, o que atrofiava a moagem e originava do desperdício dos respectivos cereais. Esta era uma situação que gerava o desespero das pessoas afectadas, quer pelos estragos causados, quer pelo facto de não terem obtido a farinha que necessitavam.
Era habitual as crianças a partir dos 6 anos acompanharem o pai ou a mãe, a fim de lhe fazer companhia nestas viagens nocturnas, segurando a lanterna e ajudando a dissipar os medos do desconhecido (lobisomens, bruxas e almas penadas que pairavam sobre aqueles caminhos escuros e íngremes).
Também aqui se verificava o espírito de entre ajuda das pessoas na aldeia, uma vez que era frequente as pessoas que iam buscar a farinha, findo o seu tempo de moagem, levarem o grão dos vizinhos que iriam utilizar as horas seguintes e vice-versa. Era também uma forma de minimizar o esforço de que todos beneficiavam.
Para além da farinha para a broa, de milho (em maior quantidade) e de centeio (em menor quantidade), fazia-se uma moagem específica a fim de obter os “carolos”, uma farinha de milho mais grossa, típica da zona, que eram cozida em água, a fim de fazer acompanhamento (de carne, sardinhas, etc) e da qual também se faziam uma espécie de papas doces.
António Duarte
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Património preservado
Capela de São Pedro
É talvez um dos sítios mais míticos do Soito, sendo, ao longo da história, para além de um local de oração, o verdadeiro centro da aldeia.
Segundo a tradição oral, terá cerca de seiscentos anos e à data da sua construção situava-se no cimo da aldeia, que entretanto se foi expandido pela encosta. Diz-se, também, que juntamente com a capela do Sobral, é um das mais antigas da Freguesia, para além, naturalmente, das capelas da sede da Freguesia
Ainda segundo a mesma tradição oral, a imagem de São Pedro, feita em Pedra, já existia antes da construção da capela, sendo nesses tempos guardada na casa dos habitantes da aldeia.
Independentemente das convicções religiosas de cada um de nós, consideramos que a capela é o património histórico mais relevante da aldeia e por isso ao longo das gerações houve sempre a preocupação de manter a dignidade deste espaço, através de obras de conservação e manutenção, que apesar da aplicação de novos materiais de construção, ao nível do exterior, manteve intacto o património essencial.
A necessidade de proceder a novas obras, associada às preocupações actualmente dominantes na aldeia, no sentido da reconstrução tradicional levou, e em nosso entender bem, a uma importante valorização do imóvel, que estamos certo orgulharia os nossos antepassados responsáveis pela construção original.
Conforme as fotos seguintes revelam, estas obras consistiram na colocação de tectos e porta em madeira, nova iluminação; telhado em lousa, escadaria em xisto e colocação lambrim exterior em xisto, colocando a capela do Soito como uma das mais preservadas da nossa zona que, de uma forma geral, tem “tratado mal” este tipo de património.
António Duarte
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CAPELA DE SÃO PEDRO,
PATRIMÓNIO PRESERVADO,
SOITO
quinta-feira, 13 de maio de 2010
História da Comissão de Melhoramentos do Soito
Sócios fundadores e obtenção de Alvará
Na sequência do texto aqui publicado no passado 2010/04/28, onde se dava a conhecer uma “carta aberta” publicada em 1953 na imprensa regional, pela então designada de “Pro-Comissão de Melhoramentos do Soito, que anunciava a criação para breve da CM do Soito, iremos, à medida que nos for sendo possível, publicar mais alguns dados sobre a sua constituição efectiva e sobre a sua história.
Antes de mais devo dizer que é muito reduzido o espólio que dispomos, não existindo, por exemplo, no arquivo oficial, quaisquer fotos de acontecimento relevantes, que muito nos ajudariam nesta tarefa. Ainda assim, tentaremos fazer o que nos é possível.
Conforme prometido na referida “carta aberta” já referida e publicada neste BLOG, a Comissão de Melhoramentos do Soito foi oficialmente constituída em 12 de Outubro de 1954, com a emissão do Alvará nº 52/1954, pelo Governador Civil de Lisboa.
Os sócios fundadores, cujos nomes aqui evocamos, foram:
Abel Nunes de Almeida Junior
Eduardo Almeida Gaspar
Fernando Duarte Costa
José Nunes de Almeida
Urbano Marques
Ernesto Santos
António Nascimento Duarte
José Martins Gomes
José Maria André
António de Almeida
Marcelino Antunes de Almeida
Ernesto Braz
José de Almeida Antunes
Américo Martins Brás
Guilherme Braz
Alfredo Marques de Almeida
José de Barros Tojal
Alberto Costa
José Lebre Ferreira Jorge
Neste momento apenas José Nunes de Almeida e Eduardo Almeida Gaspar, estão ainda entre nós. O primeiro é ainda uma das pessoas mais dinâmicas do Soito e desde sempre tem ocupado cargos nos corpos sociais da CMS, sendo actualmente o presidente do Conselho Fiscal. O segundo, apesar da idade avançada, continua a ser um grande amigo do Soito.
No artigo segundo dos respectivos Estatutos que a seguir transcrevemos, enumeram-se das finalidades da CM do Soito:
“Artº2 – As suas finalidades são:
a) O estreitamento de relações entre os sócios procurando estabelecer entre eles maior solidariedade;
b) Concorrer por todos os meios ao seu alcance para o melhoramento e engrandecimento da povoação do Soito, actuando sempre de acordo e em colaboração com os respectivos corpos administrativos;
c) Praticar, de um modo geral, todos os actos que tenham como finalidade o engrandecimento da associação e o seu prestígio.”
Apesar da mudança substancial da realidade, devemos reconhecer as finalidades da criação desta associação ainda se matem actuais.
António Duarte
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Boas notícias para o nosso Concelho
GÓIS - MAIOR INVESTIMENTO DOS “ÚLTIMOS SÉCULOS” A CAMINHO
Envelhecer com qualidade
Health Resort Nature Góis. O objectivo é ambicioso: saúde e bem-estar num único local. As obras começam já este ano. Em Junho de 2012 prevê-se a inauguração do hotel e spa. O resto fica para 2015.
Por enquanto, é só um projecto. No futuro, será uma realidade com 86 apartamentos, 34 vivendas autónomas, residências medicalizadas. Sem esquecer o jardim infantil, a creche e até um heliporto. Nome: Health Resort Nature Góis, a nascer na Quinta do Baião.
Turismo, saúde e bem-estar. O desenvolvimento está a chegar ao concelho de Góis. O complexo de quatro estrelas – que será amigo do ambiente – vai criar perto de 500 novos postos de trabalho directos e indirectos.
O Nature Góis estará preparado para receber até 460 pessoas com uma vida activa e independente, mais 300 utentes que necessitem de cuidados permanentes.
“Um espaço onde é possível envelhecer com qualidade de vida”. Palavras de Alberto Mateus, o director-geral da NatureSanus Turismo, SA, a empresa responsável pelo projecto.
As ideias estão formuladas, o projecto está estruturado, já tem o aval da autarquia para avançar e foi ontem apresentado publicamente. Com um invetimento na casa dos 50 milhões de euros, dentro de cinco anos estará de pé aquele que já é considerado o “maior investimento dos últimos séculos no concelho”, garante a autarca de Góis, Lurdes Castanheira.
Está a nascer “ uma oportunidade única a nível do distrito”. O governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, não duvida que, para além de Góis, “outros concelhos, e até Coimbra” vão ser beneficiados.
In: http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=82710&ed=07052010.
Envelhecer com qualidade
Health Resort Nature Góis. O objectivo é ambicioso: saúde e bem-estar num único local. As obras começam já este ano. Em Junho de 2012 prevê-se a inauguração do hotel e spa. O resto fica para 2015.
Por enquanto, é só um projecto. No futuro, será uma realidade com 86 apartamentos, 34 vivendas autónomas, residências medicalizadas. Sem esquecer o jardim infantil, a creche e até um heliporto. Nome: Health Resort Nature Góis, a nascer na Quinta do Baião.
Turismo, saúde e bem-estar. O desenvolvimento está a chegar ao concelho de Góis. O complexo de quatro estrelas – que será amigo do ambiente – vai criar perto de 500 novos postos de trabalho directos e indirectos.
O Nature Góis estará preparado para receber até 460 pessoas com uma vida activa e independente, mais 300 utentes que necessitem de cuidados permanentes.
“Um espaço onde é possível envelhecer com qualidade de vida”. Palavras de Alberto Mateus, o director-geral da NatureSanus Turismo, SA, a empresa responsável pelo projecto.
As ideias estão formuladas, o projecto está estruturado, já tem o aval da autarquia para avançar e foi ontem apresentado publicamente. Com um invetimento na casa dos 50 milhões de euros, dentro de cinco anos estará de pé aquele que já é considerado o “maior investimento dos últimos séculos no concelho”, garante a autarca de Góis, Lurdes Castanheira.
Está a nascer “ uma oportunidade única a nível do distrito”. O governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes, não duvida que, para além de Góis, “outros concelhos, e até Coimbra” vão ser beneficiados.
In: http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=82710&ed=07052010.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Tradições do Milho no Soito
Como em todas as aldeias da nossa zona, o milho era o cereal predominante, cuja sementeira ocorria entre Março e Maio e a colheita entre Setembro e Outubro, sendo que estas datas estavam relacionadas com a natureza das terras, em que as de sequeiro eram, naturalmente, aquelas em que as sementeiras e as colheitas ocorriam mais cedo ( que produziam o milho temporão), ao passo que os lameiros, eram aquelas em que as sementeiras e colheitas corriam mais tarde (que produziam o milho mais serôdio).
Após a colheita, a retirada das “capas” que cobriam as espigas era feita na “escapelada”, que nalgumas zonas do país se designa de “desfolhada”, trabalho este que era efectuado de forma colectiva , à semelhança do que ocorria com a “debulha”. Num dia “escapelava-se” ou “debulhava-se” o milho de um vizinho, noutro dia o do outro e por aí fora.
Na ausência de máquinas (só mais tarde alguns agricultores mais abastados possuíam pequenas debulhadoras), a debulha tinha duas partes distintas: na primeira o milho era colocado num monte e “malhado” com paus duros de azinho e outras madeiras da zona, a fim de que por essa forma fossem extraídos a maior parte dos grãos. Este trabalho era sobretudo feito por homens. Após esta fase era necessário passar espiga a espiga a fim de retirar os grãos que não tinham sido extraídos com a “malhada”.
O trabalho colectivo custava menos e era mais animado, juntando novos e velhos, havia cantorias, contavam-se anedotas e histórias de namoriscos ou o desvendar de alguns segredos, por vezes inconvenientes.
Nas aldeias escondidas na serra, sem luz eléctrica e actividades de divertimento, estes momentos seriam sem dúvida dos mais desejados pelos mais jovens, para alguns encontros tolerados, uns cruzar de pernas ou mesmo uns beijos no escuro quando, por qualquer motivo se apagavam as ténues luzes de azeite ou petróleo, então utilizadas.
O aparecimento de espigas de milho de cor rara, entre o azul e o roxo, que na zona designamos de “xi-coração”, mas que noutras zonas é também designado de “milho-rei”, era também uma oportunidade para brincadeiras entre os participantes nas debulhas, muitas das vezes aproveitada para proporcionar a troca de beijos e outras carícias entre rapazes e raparigas.
Debulhado o milho, era necessário levantá-lo ao vento a fim de eliminar as impurezas, sendo posteriormente estendido, ao sol, durante vários dias, em mantas de farrapos e “toldos”, a fim de obter uma secagem adequada à conservação e aquisição da dureza própria para o processo de moagem.
Após a secagem, o milho era guardado em arcas de madeira até à colheita seguinte, de onde ia sendo retirado à medida das necessidades para o fabrico de farinha ou para a alimentação dos animais.
António Duarte
sábado, 1 de maio de 2010
Recantos do Soito - Fonte - Velha
Até ao início dos anos 50 do século passado, data em que o sistema de água canalizada foi construído, este seria sem dúvida um dos sítios mais movimentados da aldeia, que então contava com cerca de uma centena de habitantes.
Com água abundante e muito boa e localizada num sítio muito aprazível, a “fonte-velha” continuou e continua a ser para todos nós um ponto de encontro, sobretudo quando o calor aperta e este precioso líquido é o melhor remédio para a sede.
A sua importância foi de novo posta em relevo, quando há cerca de 5 anos e em virtude do incêndio junto à aldeia, a água da rede pública ficou imprópria para consumo.
Há cerca de nove anos e após um estado de grande abandono, a Comissão de Melhoramentos do Soito, então reactivada após cerca de 20 anos de letargia, decidiu requalificar aquele espaço, devolvendo-lhe alguma dignidade.
Entretanto, durante o ano de 2008, considerámos essencial melhorar os acessos que apresentavam algum perigo, tendo em conta a idade avançada de boa parte das pessoas que a utilizam, sendo também essencial fazer um reaproveitamento das águas que face a alguns invernos relativamente secos dos últimos anos, começavam a escassear.
Era também oportunidade de corrigir alguns erros “arquitectónicos”, então cometidos pelo empreiteiro e por à vista a nascente, tal como acontecia na sua versão original.
A imagem actual da fonte velha é mostrada pelas fotos seguintes:
Com água abundante e muito boa e localizada num sítio muito aprazível, a “fonte-velha” continuou e continua a ser para todos nós um ponto de encontro, sobretudo quando o calor aperta e este precioso líquido é o melhor remédio para a sede.
A sua importância foi de novo posta em relevo, quando há cerca de 5 anos e em virtude do incêndio junto à aldeia, a água da rede pública ficou imprópria para consumo.
Há cerca de nove anos e após um estado de grande abandono, a Comissão de Melhoramentos do Soito, então reactivada após cerca de 20 anos de letargia, decidiu requalificar aquele espaço, devolvendo-lhe alguma dignidade.
Entretanto, durante o ano de 2008, considerámos essencial melhorar os acessos que apresentavam algum perigo, tendo em conta a idade avançada de boa parte das pessoas que a utilizam, sendo também essencial fazer um reaproveitamento das águas que face a alguns invernos relativamente secos dos últimos anos, começavam a escassear.
Era também oportunidade de corrigir alguns erros “arquitectónicos”, então cometidos pelo empreiteiro e por à vista a nascente, tal como acontecia na sua versão original.
A imagem actual da fonte velha é mostrada pelas fotos seguintes:
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Tradições do Soito
A propósito das comemorações dos 80 do regionalismo goiense, que tiveram lugar em Janeiro de 2009, escrevi alguns textos sobre tradições da aldeia do Soito que, na sua maioria, correspondem ao que se passava nas restantes aldeias da Freguesia.
Não obstante os mesmos já terem sido publicados em 2009 no Blog da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com), irei efectuar de nova a sua publicação neste BLOG, ao mesmo tempo que, logo que possível, penso escrever sobre o que ainda me lembro de outras tradições.
O Soito sempre foi uma terra abundante em água, porque é uma das aldeias mais baixas da Freguesia, aproveitando assim do rio e das ribeiras para regar as suas terras, algumas das quais designadas de lameiros pelo facto de entre o Inverno e a Primavera serem irrigadas de forma permanente, a fim de produzir a erva para os animais, cujo último corte era destinado ao feno (erva seca), guardada nos palheiros, para consumo sobretudo nos dias mais invernosos em que o gado não saía dos currais.
Apesar disso, as terras mais junto da aldeia, onde se cultivavam sobretudo as hortas, disputavam uma quantidade nem sempre abundante de água, que era / é captada na “ribeira”, no desembocar das águas do Ribeiro de Além e da Quinta das Águias. Aí havia 3 poços (actualmente em ruínas) que, após estarem cheios (uma a duas vezes ao dia, dependendo da quantidade de água), eram abertos, sendo a sua água transportada até ao Soito, por uma levada de cerca de 2 km (hoje substituída por um tubo).
A água destes poços, que demoravam cerca de 2 horas a serem esvaziados, uma vez chegada ao Soito pela dita levada (alguma perdia-se no caminho), era depositada num poço de terra e pedras de grande dimensão situado no cimo da aldeia, hoje substituído por um tanque de cimento.
A distribuição da água era feita segundo escritos antigos, ainda hoje existentes, com base na dimensão de cada um dos terrenos de cultivo que a ela tinham direito, mas como acontecia em muitas outras terras do país, originava por vezes algumas discórdias, dado que algumas pessoas menos conscientes abusavam da sua utilização esquecendo os direitos dos outros.
A fim de resolver as “guerras da água”, os antigos habitantes resolveram então colectivamente instituir a figura do “juiz da água”, que era um homem designado por todos os agricultores para controlar a utilização da água por cada uma das propriedades, de acordo com o tempo a que tinham direito.
Este juiz, que eram pago em géneros agrícolas pelos diversos proprietários, tinha como função abrir o poço da aldeia e encaminhar água pelas levadas em direcção às terras que naquele dia iria ser regadas, chegada a água ali, virava o “tornadoiro ” e controlava o tempo de rega, cortando a água em direcção a outro destino, quando este terminava, ainda que o terreno não tivesse sido todo regado. Era necessário cumprir a “lei” e o juiz era implacável.
Os seus instrumentos eram o relógio para controlar o tempo de rega e um pequeno sacho para levar a água para o percurso desejado e também para desobstruir as levadas e os rêgos.
O último juiz da água do Soito, que exerceu a sua função até cerca de 1970, foi o ti António da Neves, mais conhecido por ti António do Balcão (dado que a sua casa, à entrada da chamada “rua da carvalha”, tinha um pequeno balcão e um alpendre). Era natural de Aldeia Velha e casou no Soito e o seu sacho ( a sua ferramenta de juiz da água) é uma das peças que integram o acervo do “Espaço Museológico do Soito”.
António Duarte
Não obstante os mesmos já terem sido publicados em 2009 no Blog da União Progressiva da Freguesia do Colmeal (http://upfc-colmeal-gois.blogspot.com), irei efectuar de nova a sua publicação neste BLOG, ao mesmo tempo que, logo que possível, penso escrever sobre o que ainda me lembro de outras tradições.
A gestão das águas comunitárias da aldeia
O Soito sempre foi uma terra abundante em água, porque é uma das aldeias mais baixas da Freguesia, aproveitando assim do rio e das ribeiras para regar as suas terras, algumas das quais designadas de lameiros pelo facto de entre o Inverno e a Primavera serem irrigadas de forma permanente, a fim de produzir a erva para os animais, cujo último corte era destinado ao feno (erva seca), guardada nos palheiros, para consumo sobretudo nos dias mais invernosos em que o gado não saía dos currais.
Apesar disso, as terras mais junto da aldeia, onde se cultivavam sobretudo as hortas, disputavam uma quantidade nem sempre abundante de água, que era / é captada na “ribeira”, no desembocar das águas do Ribeiro de Além e da Quinta das Águias. Aí havia 3 poços (actualmente em ruínas) que, após estarem cheios (uma a duas vezes ao dia, dependendo da quantidade de água), eram abertos, sendo a sua água transportada até ao Soito, por uma levada de cerca de 2 km (hoje substituída por um tubo).
A água destes poços, que demoravam cerca de 2 horas a serem esvaziados, uma vez chegada ao Soito pela dita levada (alguma perdia-se no caminho), era depositada num poço de terra e pedras de grande dimensão situado no cimo da aldeia, hoje substituído por um tanque de cimento.
A distribuição da água era feita segundo escritos antigos, ainda hoje existentes, com base na dimensão de cada um dos terrenos de cultivo que a ela tinham direito, mas como acontecia em muitas outras terras do país, originava por vezes algumas discórdias, dado que algumas pessoas menos conscientes abusavam da sua utilização esquecendo os direitos dos outros.
A fim de resolver as “guerras da água”, os antigos habitantes resolveram então colectivamente instituir a figura do “juiz da água”, que era um homem designado por todos os agricultores para controlar a utilização da água por cada uma das propriedades, de acordo com o tempo a que tinham direito.
Este juiz, que eram pago em géneros agrícolas pelos diversos proprietários, tinha como função abrir o poço da aldeia e encaminhar água pelas levadas em direcção às terras que naquele dia iria ser regadas, chegada a água ali, virava o “tornadoiro ” e controlava o tempo de rega, cortando a água em direcção a outro destino, quando este terminava, ainda que o terreno não tivesse sido todo regado. Era necessário cumprir a “lei” e o juiz era implacável.
Os seus instrumentos eram o relógio para controlar o tempo de rega e um pequeno sacho para levar a água para o percurso desejado e também para desobstruir as levadas e os rêgos.
O último juiz da água do Soito, que exerceu a sua função até cerca de 1970, foi o ti António da Neves, mais conhecido por ti António do Balcão (dado que a sua casa, à entrada da chamada “rua da carvalha”, tinha um pequeno balcão e um alpendre). Era natural de Aldeia Velha e casou no Soito e o seu sacho ( a sua ferramenta de juiz da água) é uma das peças que integram o acervo do “Espaço Museológico do Soito”.
António Duarte
quarta-feira, 28 de abril de 2010
O início da CM de Melhoramentos do Soito
É através desta “carta aberta” publicada em 1953 na Comarca de Arganil, que a designada Pró -Comissão de Melhoramentos do Soito, constituída homens da nossa terra residentes em Lisboa, anuncia a criação da futura Comissão de Melhoramentos do Soito, cuja constituição formal viria a ter lugar em 12 de Outubro de 1954, fazendo este ano 56 anos.
“Carta aberta aos naturais de Soito do Colmeal
Caros conterrâneos: - Só um assunto muito importante nos levaria a tomar o precioso espaço do prestimoso jornal que é A Comarca de Arganil. Mas, em face da dispersão da família soitense, é este ainda o melhor meio de rapidamente comunicarmos com todas.
Muitas vezes tereis lamentado o desinteresse que a mocidade da nossa terra parece mostrar por tudo o que seja progresso, quando outros, em menor número e com menos possibilidades, têm feito tanto em prol das suas.
Tem contribuído para essa falta de interesse não só a saída de algumas famílias, como, e principalmente, a saída dos jovens assim que terminam a instrução primária, que passando a viver num mundo diferente, depressa perdem o amor que tinham à terra, não o conseguindo manter as visitas periódicas que lhe fazem, pois o abandono progressivo, aliado à mais completa ausência de condições de vida, para isso contribui.
Tentando modificar este estado de coisas, e animados pelo belo exemplo de outras colectividades, é com prazer que comunicamos estar em organização, em Lisboa, uma Comissão de Melhoramentos, que será mais uma a juntar a tantas outras da nossa região, mas que, para nós, soitenses, representará não só a união de ausentes e residentes na terra, como a possibilidade de tornar esta mais progressiva e, se possível, mais linda.
Contamos já com a valiosa e espontânea adesão de muitos conterrâneos e amigos, estando marcada uma reunião em casa dos nossos conterrâneos Srs. Ernesto e Urbano Marques – Rua Barão de Sabrosa, 174–A para o próximo domingo, dia 7, às 14 horas, para aprovação de estatutos, contando-se com a presença de todos e a inscrição daqueles que ainda não o fizeram. – A Pró-Comissão de Melhoramentos do Soito.”
Publicada na Comarca de Arganil em 1953 (não é visível a data exacta)
“Carta aberta aos naturais de Soito do Colmeal
Caros conterrâneos: - Só um assunto muito importante nos levaria a tomar o precioso espaço do prestimoso jornal que é A Comarca de Arganil. Mas, em face da dispersão da família soitense, é este ainda o melhor meio de rapidamente comunicarmos com todas.
Muitas vezes tereis lamentado o desinteresse que a mocidade da nossa terra parece mostrar por tudo o que seja progresso, quando outros, em menor número e com menos possibilidades, têm feito tanto em prol das suas.
Tem contribuído para essa falta de interesse não só a saída de algumas famílias, como, e principalmente, a saída dos jovens assim que terminam a instrução primária, que passando a viver num mundo diferente, depressa perdem o amor que tinham à terra, não o conseguindo manter as visitas periódicas que lhe fazem, pois o abandono progressivo, aliado à mais completa ausência de condições de vida, para isso contribui.
Tentando modificar este estado de coisas, e animados pelo belo exemplo de outras colectividades, é com prazer que comunicamos estar em organização, em Lisboa, uma Comissão de Melhoramentos, que será mais uma a juntar a tantas outras da nossa região, mas que, para nós, soitenses, representará não só a união de ausentes e residentes na terra, como a possibilidade de tornar esta mais progressiva e, se possível, mais linda.
Contamos já com a valiosa e espontânea adesão de muitos conterrâneos e amigos, estando marcada uma reunião em casa dos nossos conterrâneos Srs. Ernesto e Urbano Marques – Rua Barão de Sabrosa, 174–A para o próximo domingo, dia 7, às 14 horas, para aprovação de estatutos, contando-se com a presença de todos e a inscrição daqueles que ainda não o fizeram. – A Pró-Comissão de Melhoramentos do Soito.”
Publicada na Comarca de Arganil em 1953 (não é visível a data exacta)
Nota de abertura
Pretende-se com este BLOG dar a conhecer alguns aspectos da aldeia do Soito, que desde há algum tempo tem investido na recuperação do património tradicional, sendo uma das aldeias da nossa zona que apresenta um significativo potencial atractivo, com vários pontos de interesse a visitar de que se destacam a capela de São Pedro que segundo a tradição oral remonta ao século XVI, o espaço museológico do Soito, a fonte-velha, o moinho a água existente no interior da aldeia, a Eira recentemente recuperada para espaço de lazer, bem como inúmeros recantos e percursos em direcção à serra, à ribeira e ao rio.
De referir ainda, que durante o ano de 2010 e 2011, o aspecto da aldeia será ainda significativamente melhorado, através de um programa designado de “valorização do espaço público do Soito, cujo projecto já se encontra na CM de Góis para aprovação e cuja divulgação mais por menorizada se fará oportunamente.
António Duarte
De referir ainda, que durante o ano de 2010 e 2011, o aspecto da aldeia será ainda significativamente melhorado, através de um programa designado de “valorização do espaço público do Soito, cujo projecto já se encontra na CM de Góis para aprovação e cuja divulgação mais por menorizada se fará oportunamente.
António Duarte
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